02/12/2024

MUTRETA - TROMPO

 

MUTRETA

quem desse quadro

de social descalabro

ressalta a fantasia 

na sociedade embutida?


faça isso, minha poesia!

sabes que isso

é mutreta construída:

- isso é vida? 

isso não é vida!


TROMPO

kiu el tiu bildo

de maldeca socio

reliefigas la fantazion 

socie inkrustita?


faru tion, mia poezio!

konstruita fuŝaĵo, vi scias:

- ĉu tio estas vivo? 

tio ne estas vivo!

PSORA CHORA ORA - PSORA’ PLORAS

 



PSORA CHORA ORA 

psora me atravessa psora me enamora

que psora é essa? namoro maroto apavora?

escreva: e na ponta do lápis sinta essa angústia fluir

no canal o fluxo fácil – água sabe aonde ir

 

água sabe declive que a leva da Fonte ao mar:

sei caminhos onde estive

mesmo nos que desconheço sei aonde vou chegar!

um saber que sempre tive sei de ontem e sei de agora

se em bordas me contive bordas bordo cor aflora

 

mas a ilusão do caminho me faz supor caminhante

sou água lá no meu ninho e meu ninho é minha Fonte:

partida viagem destino coexistem no fluir e no agora

sou o terreno cujo declive dissolvo e filtro a psora

 

essa coceira sem porquê e sem pra quê

não é da Fonte nela fica aquilo que não se vê?

nunca deixo de ser Fonte mesmo se água de bica!

se saio pela torneira então me explica me explica:

onde a psora a coceira? Eu Sou na Fonte e estou na bica

 

da bica passo pras bocas sedentas de ásperas sendas

mesmo as sendas sendo loucas

sou água e paz nas contendas fluxo a fluir mais e mais:

Fonte e fluxo sou no agora sou na Paz!

 

PSORA’ PLORAS

psora’ min trapaŝas, psora’ allogas min,

kiu psora’ estas tiu? ĉu terurigas amindum’?

verku: el la krajona pinto sentu flui tiu angor’

tra kanal’ facila flukso – akvo scias iri for

 

akvo scias pri l’ kondukanta deklivo de Fonto ĝis mar’:

vojojn de mi trairintajn jam de longe konas mi

eĉ se per diskonataj kien alveni scias mi!

sciaĵon sciatan de ĉiam de hieraŭ de nun

se rande mi min detenis randojn brodas (florkolor’)

 

ve, miaj voj-iluzioj supozigis min voj-iranto

akvo jen mi ekde nesto – mia nest’ jen mia Fonto:

foriro vojaĝo destino kunestas en flu’ kaj en nun’

mi grundo kies deklivon psore mi solvas filtras

 

tiu juko sen kialo sen kielo

ne enas el Fonto en ĝi restas tio ĉu ne vidata?

neniam mi lasas esti Fonto eĉ se de akvo-tubo!

se per krano eliras mi do min diru klarigu:

kie psora’ kaj juko? Mi Estas en Fonto enkrane estante

 

de krano al buĉoj mi iras soifanta el akraj padoj

eĉ se padoj frenezas mi estas akvo kaj pac’

en bataloj flukso pli kaj pli fluanta:

Fonto kaj flukso Mi Estas en nun’ kaj Pac’!

01/12/2024

ESTERCO - STERKO

  


ESTERCO

minha poesia acorda hoje

meio menstrual falida

falha e se atrapalha

com a embocadura do verso


e do reverso infértil
e do plantio só fertilizante
que infecta infesta inferniza
o que se tornará comida

se soneto for será estúpido 
deletério meio entupido
será cuspido será depois cagado

se nem soneto for só sonolento
meio falido monstro menstrual
sem poesia sem soneto sem nada!


STERKO

mia poezio hodiaŭ vekiĝis

iom menstrua bankrota

manka kaj ĝi konfuziĝas

pri la buŝaĵo de l’ verso


de sengrasuma posta flanko 
de nur grasumigita plantado 
kiu infektas infestas inferigas
tion, kio iĝos nutraĵo  

se soneto estu estos ĝi malsaĝa 

ruiniga certe iom obstrukciata

estos kraĉata kaj poste fekata


se nek soneto estos nur dormema

iom bankrota menstrua monstro 

sen poezio sen soneto sen nenio!

NO DESENLACE SE RENASCE? - ĈU EN FORPASO ONI RENASKIĜAS?

  


NO DESENLACE SE RENASCE?

Ao poeta Augusto dos Anjos

revisitado

Vem nu e sem noção o ser que nasce

Neste intervalo a que chamamos vida

Ser pleno espaço no meu desenlace

Ser plena luz na hora da partida


Seja meu guia o Amor que cultivei

Mesmo que tosco muito do que fiz

Que eu saiba muito mais do que hoje sei:

Eu Sou a Vida muito mais feliz


Serei na morte como quem renasce

Grato ao boneco pleno de saúde

Pleno de consciência o desenlace


Na lápide só... que fiz o que pude

Se com saudade deixo meus brinquedos

Pleno e sem medo ganho este ataúde!



ĈU EN FORPASO ONI RENASKIĜAS?

Al poeto Aŭgusto dos Anĵos

reviziita

Venas naskiĝul’ nuda sen noci’

Al tiu intertemp’ nomata viv’

Iĝi plena spac’ dum mia forpas’

Iĝi plena lum’ dum mia forir’


Estu mia gvid’ la Am’ kultivata

Eĉ se torda multo de mi farita

Sciu pli mi nun ol sciite:

Mi Estas Viv’ kun tiom da feliĉ’ 


Forpase estu mi renaskiĝant’

Dankema al la pup’ plena je san’

Plena je konsci’ estu la forpas’


Memor-ŝtone: “mi faris kion povis

Se sopire miajn ludilojn lasas

Plena sen tim’ mi tiun ĉerkon gajnas!

VENANIA - URAGAN0

 


VENTANIA

havia o ventinho tímido 
com medo até de ventar
a manhã alegre transpirava fragrâncias
os pássaros, sinfonias
começa incessante o vento a crescer
fica forte e sem vergonha
e sem vergonha e sem medo
e sem vergonha e atrevido
e sem vergonha e insolente:
o inofensivo ventinho tímido
transforma-se em turbulência
tufão terror tempestade
furacão ferocidade 
segue intrépido e estrepitoso
quebra tudo que vê leva tudo que vê
com estrondo e confusão
vento safado! levantou a saia dela
só pra dar uma espiada, eta vento comilão!
comeu goiaba mamão comeu poeira e espirrou
será que o vento é alérgico?
nossa que vento forte fez voar o barracão!
será que ele está zangado? 
como venta veloz o vento
quando o vento quer ventar
solta vento pelas ventas
parece dragão sem fogo
querendo o fogo soprar!
ufa! até que acalmou ficou 
sereno sossegado ficou manso
ficou suado de tanto correr
vento até parece gente: 
se zanga e quebra o que vê
e xinga e arrebenta tudo
mas sossega de repente
    vento parece gente?

* * * * * * * *


URAGANO


ekis timida ventet' 
timema eĉ ventad'
parfumon transpiris gaja maten' 
simfoniojn, tiuj birdoj 
senĉese ekkreskas vento 
iĝas forta senhonta
sentima senhonta 
trokuraĝa senhonta 
aroganta senhonta:
sendanĝera timida ventet' 
iĝas tiam turbulad'
uragan' terur' tempest'
feroca furio sentima bruema
rompas forportas ĉion 
granda brua konfuzo
ruza vento vento ruza!
nur por elrigardeto 
levis ĝi ŝian jupon
kia vento manĝegema!
manĝis gujavon papajberon 
manĝis polvon kaj ternis
ĉu eble alergia? kia forta vento!
forflugis domaĉon!
ĉu koleretiĝis ĝi? 
rapidege ventas vento
kiam vento volas venti
naz-true delasas venton 
simile al senfajra drako 
kun vol' pri fajrablovad'!
finfine ĝi kvietiĝis
sereniĝis mildiĝis
pro tiom kuri ŝvitis
vento eĉ ŝajnas hom': 
furioze rompas ĉion 
ĉion insultas diskrevigas
subite tamen kvietiĝas
    ja vento ŝajnas hom'

 💔 💔 💔

DESENCANTO

original de Manuel Bandeira

Eu faço versos como quem chora

De desalento… de desencanto…

Fecha o meu livro, se por agora

Não tens motivo nenhum de pranto.


Meu verso é sangue. Volúpia ardente…

Tristeza esparsa… remorso vão…

Dói-me nas veias. Amargo e quente,

Cai, gota a gota, do coração.


E nestes versos de angústia rouca,

Assim dos lábios a vida corre,

Deixando um acre sabor na boca.


— Eu faço versos como quem morre.




 💔 💔 💔


DESENCANTO

à moda de Manuel Bandeira


faço poemas como quem cora

tão desatento ao desencanto

pecha do livre que nos devora

sois emotivo e duro e pranto


poema range ruge o dente

retesa o espaço em morse vão

mas morse é morte (ninguém entende)

e quem entende não fala não


e este poema de angu na boca

assim quisera estar de porre

cantar mais livre a verdade toda


        - mas faço versos como quem corre…



 💔 💔 💔


SENILUZIIĜO

simile al Manuel Bandeira (*)


honte mi poeziumas

malzorgata seniluzi’

misvoras libero misa

trosentemon ploron umas mi


roras kaj grincas tiu poemo

spaco streĉa (nur vana kodo)

mortanta kodo nur morsa kodo 

komprenemulo silenta emo


tiu surbuŝa kaĉ' el farun'

ĉu emas poemo al ebri'?

tutan plenveron ni kantu plu


        - kuro-simila poezi'…


(*) Manuel Bandeira (1886-1968) estas brazila poeto de modernismo iel romantisma. La originalan poemon oni konsideras metapoemo, tio estas, poemo celanta priskribi la proceson mem de la beletra kreado. 


AGORA - NUNO

  


AGORA

troco chronos por kairós
e ainda fico com troco:
sou sem antes sem após
vivo agora sem sufoco

kairós é fruir o agora
sem tempo sequenciado
jogado o relógio fora
sai futuro sai passado

e habita na memória
lâmina quântica espaço
corta o fio da história

do espaço me contemplo
essa faísca ilusória
sem pressa sem tempo: templo


NUNO

anstataŭ kronos', kairos'
eĉ groŝon konservas mi:
nek antaŭe nek post'
sensufoke vivas mi  
 
kairós' - jen ĝua profit'
tempopaŝo finiĝinta 
horloĝ' fine forĵetita
onto into foririnta

nun surmemore loĝanta
kvantuma kling', spac'
histori-faden' rompanta

el spaco jen kontemplo:
jen mi iluzia spark'
sen-hasta, sentempa: templo

QUEM SOU - KIU MI ESTAS

 


QUEM SOU

Eu sou o mistério

da pergunta-resposta

que em mim cintila

 

Eu sou o mistério

da resposta provisória

a cintilar em nova pergunta

 

Eu sou o mistério provisório

do Ser eterno

que em existir cintilo

 

Eu sou o mistério

do cintilar provisório

no mar eterno

do inconsciente

emergente do Si mesmo

 

Eu sou o mistério

de não ser o eu pessoal

sendo ainda assim

o mistério da Totalidade:

o Si mesmo.

 

Eu sou mesmo

o mistério em Si mesmo. 


************* 

 

KIU MI ESTAS

Mi estas la mistero

de la demando-respondo

kiu en mi trem-brilas

 
Mi estas la mistero

de la provizora respondo

trem-brile al nova demando

 
Mi estas la 
provizora mistero

de eterna Estulo

dum ekzista trem-brilo

 
Mi estas la mistero

de la provizora trem-brilo

en la eterna maro

de la emerĝanta 

nekonscienco de Si mem

 
Mi estas la mistero

ne esti la persona mio

estante tamen la mister'

de la Tuteco: Si mem

 
Mi estas la mistero mem

en Si mem.

DEFASAGEM - MALAKORDO

  DEFASAGEM Ano da graça: 1949  me sinto um urso nascido analógico por desgraça me querem digital no ano em curso crise de identid...