PAPOS NASCENTES8
Dulingva poezia blogo, kompromise kun beleco, harmonio, filozofio, kulturo, simpleco, amo al humanisma Arto.
09/06/2026
DESTRUIÇÃO RECONSTRUÇÃO
OPUS MAGNUM
DESENCANTO - SENILUZIIĜO
💔 💔 💔
DESENCANTO
à moda de Manuel Bandeira (*)
faço poemas como quem cora
tão desatento ao desencanto
pecha do livre que nos devora
sois emotivo e duro e pranto
poema range ruge o dente
retesa o espaço em morse vão
mas morse é morte (ninguém entende)
e quem entende não fala não
e este poema de angu na boca
assim quisera estar de porre
cantar mais livre a verdade toda
- mas faço versos como quem corre…
💔 💔 💔
SENILUZIIĜO
simile al Manuel Bandeira (*)
honte mi poeziumas
malzorgata seniluzi’
misvoras libero misa
trosentemon ploron umas mi
roras kaj grincas tiu poemo
spaco streĉa (nur vana kodo)
mortanta kodo nur morsa kodo
komprenemulo silenta emo
tiu surbuŝa kaĉ' el farun'
ĉu emas poemo al ebri'?
tutan plenveron ni kantu plu
- kuro-simila poezi'…
(*) Manuel Bandeira (1886-1968) estas brazila poeto de modernismo iel romantisma. La originalan poemon oni konsideras metapoemo, tio estas, poemo celanta priskribi la proceson mem de la beletra kreado.
AMOR DE CAMA E MESA - LITA KAJ TABLA AMO
AMOR DE CAMA E MESA
a poesia bote a mesa
a poesia brote à mesa
a proeza o bote a cama
a pureza brote a cama
a poesia firme acesa
a poesia afirme-a tesa
a princesa a teia a cama:
equilibrada ente sim e não
a amada ateia a chama
inflama cama e mesa
à chama conte com tesãããããão
LITA KAJ TABLA AMO
poezio preparu tablon
poezio ĝermu ĉe tablo
heroeco boato lito
la pureco ĝermu ĉe lito
poezio firmu eklumiga
poezio asertu sin streĉa
princino teksaĵo lito:
amatino flamon ardigas
inflamigas liton tablon
al flamo rakontu
kun seks-arrrrdo
06/06/2026
O QUERERES - PRI LA VOLO
O Quereres
Caetano Veloso
Totalmente Demais
Onde queres dinheiro, sou paixão
Onde queres descanso, sou desejo
E onde sou só desejo, queres não
E onde não queres nada, nada falta
E onde voas bem alta, eu sou o chão
E onde pisas o chão, minha alma salta
E ganha liberdade na amplidão
Onde queres família, sou maluco
E onde queres romântico, burguês
Onde queres Leblon, sou Pernambuco
E onde queres eunuco, garanhão
Onde queres o sim e o não, talvez
E onde vês, eu não vislumbro razão
Onde o queres o lobo, eu sou o irmão
E onde queres cowboy, eu sou chinês
Ah! bruta flor do querer
Ah! bruta flor, bruta flor
Onde queres o ato, eu sou o espírito
E onde queres ternura, eu sou tesão
Onde queres o livre, decassílabo
E onde buscas o anjo, sou mulher
Onde queres prazer, sou o que dói
E onde queres tortura, mansidão
Onde queres um lar, revolução
E onde queres bandido, sou herói
Eu queria querer-te amar o amor
Construir-nos dulcíssima prisão
Encontrar a mais justa adequação
Tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e de viés
E vê só que cilada o amor me armou
Eu te quero (e não queres) como sou
Não te quero (e não queres) como és
Ah! bruta flor do querer
Ah! bruta flor, bruta flor
Onde queres comício, flipper-vídeo
E onde queres romance, rock'n roll
Onde queres a lua, eu sou o sol
Onde a pura natura, o inseticídio
Onde queres mistério, eu sou a luz
E onde queres um canto, o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro
E onde queres coqueiro, eu sou obus
O quereres e o estares sempre a fim
Do que em mim é de mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal
Bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente pessoal
E querendo querer-te sem ter fim
E, querendo-te, aprender o total
Do querer que há e do que não há em mim
Pri la volo
Kanto de Caetano Veloso ‧ 1984
Fonto: LyricFind
Komponisto: Caetano Emmanuel Viana Teles Veloso
Muzikteksto de “O quereres” © Warner Chappell Music, Inc
Traduko: Paulo Pereira Nascentttes
Revolveron vi volas, mi, kokoso
Kie mi, nur deziro, ja ne vi
Kie flugas vi alta mi, plafon’
Premas vi la plafonon, anim' saltas
Kaj ĝi gajnas liberon je senfin’
Romantika min volas, mi, burĝul’
Se vi volas eŭnukon, vir-ĉeval’
Kie vi volas jes kaj ne, ver-ŝajn’
Kie volas vakeron, mi nur ĉin’
Kie volas vi agon, mi, spirit’
Kie volas teneron, mi, seksard’
Kie volas liberon, deksilabas
Se vi volas plezuron, dolorig'
Fari mildan katenadon al ni du
Vidu, celis embuskon al mi am’
Mi vin volas, vi ne, kia jen mi
Ne vin volas, nek vi kia jen vi
Kie volas mitingon, mi, bilard'
Se romanon vi volas, rokenrol'
Kie puran naturon, inset-murd'
Kie volas misteron, mi la lum’
Kie bordon vi volas, tuta mondo
Kie volas Karesmon, Februaro
Kie volas kokoson, mi obus’
Pri en mi kio estas malegal’
Volas bonon malbonon mi al vi
Absolute he mi persone aŭ
Kaj, pro ĉi-volo, tuta lern' el vi
CICLOS NA VIDA, NA DEP, NA VIDA - VIVOCIKLOJ EN DEP, EN VIVO
CICLOS NA VIDA, NA DEP, NA VIDA
(Paulo Pereira Nascentttes)
Manhã do novo dia após a transição,
madrugada, alvorada, madrugada:
da noite e seu açoite ao dia por nascer,
do meio-dia de novo à meia-noite
e de novo o novo alvorecer.
Da pequena morte do ego e seu apego
chego ao raiar do novo dia.
Do ego me desapego, do arredio
desembarco na fonte da paciência,
levo meu bardo, meu barco
de novo à ciência da paz:
a paciência que jorra da consciência
tem por codinome não a fome do ego,
mas a paz que perfaz o maná
e a manhã da nova consciência.
VIVOCIKLOJ EN DEP, EN VIVO
Mateno de nova tago post transiro
maten-ruĝo, frumateno, maten-ruĝo:
de l' nokto kaj skurĝo al naskiĝonta tago,
de l' tagmezo denove al noktomezo
kaj denove jen nova maten-ruĝo.
De l’ eta egoa morto kaj alligo
alveno al novtaga radio.
de l’ egoo al mallig’, de l’ foriĝemo
elbarkiĝas mi en la fonto de pacienco,
portanta mian bardon, mian barkon,
denove al mia paca scienco:
la ŝprucanta pacienco de la konscienco
kies kodnom’ ne estas la malsato de l’ egoo,
sed la paco kiu elfaras la manaon
kaj la matenon de l’ nova konscienco.
19/05/2026
DEFASAGEM - MALAKORDO
DEFASAGEM
Ano da graça: 1949 me sinto um urso
nascido analógico por desgraça
me querem digital no ano em curso
crise de identidade agora e-digital,
fulano de tal constato atônito
sem qualquer enleio: meu correio
é eletrônico, se chama imeio:
em inglês, e-mail
antiga, a CNH esnoba
agora e-CNH nesse imbróglio
eu, nascido analógico, me vejo
completo analfabeto digital
bêbado, pisca meu percurso
analógico, ilógico, tetraplégico:
ser analógico já não conta
criptografia de ponta a ponta
por mais que erre, a câmera
aponta o código de barra
em farra, agora código QR!
MALAKORDO
Graca jaro: 1949 min sintas mi urso
naskiĝinta analogia, malfeliĉe
min oni volas cifereca dum la jar’ en kurso
identeca krizo nun e-cifera,
iu ajn mi konstatas konfuza
sen ajna ravo: mia poŝto
ja ret-poŝto nomiĝas “imeio”:
en la angla e-mail
eksmoda stirpermisilo freneze
iĝis e-permisilo en tiu imbróglio
mi, naskiĝinta analogia, min perceptas
tute cifereca analfabeto
mi stumblas ebria
dum la cifereco de mia irvojo
analogia, senlogika, paralizata:
esti analogia ne gravas
de pinto al pinto kriptografio
ju pli malprave
kamerao sin direktas al stri-kodo
mi troas: nun pli moderna kodo!
09/05/2026
APORIA II APORIOII
APORIA II
Tem essa pele que arde e coça,
mãos e unhas assassinas
raiva sem nome sem tino
essa carnificina
Olhar assustado do menino
a virar moço, suor, esforço
pra ser o primeiro da classe
ah! se o rapaz falasse:
por que tanto alvoroço?
onde o fim do poço?
onde enfim o desenlace
desta e de tantas batalhas?
ao primeiro da classe
no peito, as medalhas,
todo o bônus, todo o crédito
e o mote militar:
ao primeiro lugar
"honra ao mérito"
Ao menino desejo o melhor
ao moço menos alvoroço
ao rapaz, agora adulto,
nesse Natal, o indulto:
ser compaixão, amor adulto
sinto muito, me perdoe, sou grato, te amo,
sinto muito, sinto muito!
APORIO II
Jen tiu haŭto ardas, jukas,
murdantaj manoj, ungoj,
sennoma freneza kolero
tiu multmortigo
Ektimiga rigardo de l' knabo
preskaŭ junul', ŝvito, la penado esti la unua de l' klaso
ha! se parolus la junulo:
kial tioma konfuzo?
kie la fino de l' puto?
kie finfine la solvo
de tiu, tiomaj bataloj?
a la unua de l' klaso,
sur la brusto, medaloj,
ĉiu profito, kredito
kaj milita devizo: a la unua ulo, "honoro al merito".
Al la knabo plej bonon deziras mi
al junul' malpli da konfuz'
al junul', nun plenkreskul',
ĉi-Kristnaske, la amnestion:
iĝi kompato, matura amo
mi multe sentas, min pardonu, mi dankas, amas vin,
mi multe sentas, multe sentas!
FRIOZINHO NA BARRIGA - EKSCITO
FRIOZINHO NA BARRIGA
Pego caneta e papel. Começar como? Tô nervoso: vou fazer palestra e aula sobre a metodologia Escrita Essencial. Pára com isso! Isso você tá careca de fazer! Eu sei, mas dá um friozinho na barriga. Sabe o espaço entre o trampolim e a entrada na água da piscina? Pois é! Tudo vem à tona de forma desordenada. A água está, gelada, fria ou quentinha? Quem tinha que pular do trampolim? Desistiu? Fazer texto parece com isso, aquele frio, mão gelada, cabeça quente. Por onde começar? Até quem é macaco velho fica meio aflito diante do universo da folha em branco em confronto com o universo em nós. Multidão de ideias, mas como começar?
“Retomada”, (https://discografia.discosdobrasil.com.br/discos/vos), poema meu que o amigo, poeta, compositor, músico, maestro Flávio musicou. Ouvi gravação caseira, tipo voz e violão. Fiquei em êxtase! O poema ganhou melodia, compasso, ritmo, a bossa da música. Depois Flávio produziu o CD “Voz”, gravado por Giselle Sprovieri, cantora de Brasília. Faltava uma canção. Ele se lembrou da nossa. E mandou a gravação caseira para ela. Ela amou! "Resolvido! Temos já a última faixa do CD!". Ouviram? O que acharam da canção “Retomada”? As outras dez, também maravilhosas, Algumas estão no You Tube. Vocês têm todos os dados! Pesquise e curta a voz da cantora!
Mando o convite quando o Flávio estiver com novo show! Só me pedir. Vale a pena! Aliás, como disse Fernando Pessoa, “tudo val a pena se a alma não é pequena!”
[Obs. Produzido no curso Escrita Essencial 1]
EKSCITO
Krajonon kaj paperfolion mi prenas. Sed, kiel komenci? Mi estas nerva: mi prelegos kaj lekcios pri la metodologio Esenca Verkado. Haltu tion! Vi ege scias fari tion! Jes, tamen mia ventro malvarmetas. Ĉu vi konas la spacon inter salto-tabulo kaj la momento eniri en la akvon? Jen! Ĉio malorde venas al mi en la kapo. Ĉu la akvo estas malvarma, glacia? Ĉu varmeta? Kiu devis salti de la salto-tabulo? Ĉu rezignis tion? Verki tekston similas al tio, jen malvarmo, frosta mano, varma kapo. Kiel komenci ĝin? Eĉ spertulo restas duon-aflikta antaŭ blanka paperfolio kompare la universon en ni. Tro da ideoj, sed kiel komenci?
“Reo”, (https://www.brazilamuziko.com/2020/03/reo.html), poemo mia muzikigita de amiko, poeto, komponisto, muzikisto, reĝisoro Flávio Fonseca. Mi audis la registron kun voĉo kaj gitaro kaj gapis, ĉar la poemo gajnis melodion, takton, ritmon, la tuŝo de la muziko. Poste Flávio produktis la KD-on “Voz” [Voĉo], registrita de Giselle Sprovieri, kantistino de Braziljo, kaj mankis unu kanton. Li memoris pri nia kanton kaj sendi al ŝi la hejman registron. Ŝi amis ĝin kaj diris: Solvite! Jam ni havas la lastan bendon de la KD. Nun, post ĝin aŭdi, kion vi opinias pri la kanto “Retomada”? La aliaj dez vendoj estas mirindaj, kelkaj disponeblas per Jutubo. Vi ĉiuj havas ĉiujn datumojn por esplori kaj ŝati la voĉon de la kantistino.
Mi sendos la inviton kiam Flávio refoje spektaklos. Sufiĉas min peti. Valoras la penon! Cetere, laŭ Fernando Pessoa, “ĉio valoras la penon, se la animon ne estas malvasta!”
[Rim.: Produktita dum la kurso "Escrita Essencial 1", Esenca Verkado 1]
19/04/2026
O FASCÍNIO DO "CÉU DE SANTO AMARO" - LA SORĈO DE “CÉU DE SANTO AMARO”
O FASCÍNIO DE “CÉU DE SANTO AMARO”
Paulo Pereira Nascentttes
“Céu
de Santo Amaro”, canção de Caetano Veloso e Flávio Venturini, figura como uma
das minhas prediletas. A música foi inspirada no “Arioso” da Cantata BWV 156,
de Johann Sebastian Bach e a letra é pura poesia. Sinto um enorme enlevo cada
vez que ouço essa obra prima do cancioneiro nacional. Sinto o barulho gostoso
do desmoronar do muro ente o popular e o erudito. Muro que jamais deveria ter sido
erguido: afinal, a fronteira, além de desnecessária, é falsa e ilusória.
Mas,
os sentimentos que em mim afloram tocam o fundo da alma, como costuma acontecer
no contato com a arte, a poesia, a melodia de uma boa música. Caetano e
Venturini superam minhas expectativas ao falar do amor que me invade e envolve,
quando também “olho para o céu”, “o universo em mim”, “a alegria de um
pássaro em busca de outro verão”. Quanto lirismo! Quanta beleza! Acabo me
sentido o pássaro em voo para o infinito em mim. Voo em busca de outras
primaveras também.
Como não bastasse, bateu a vontade de viajar e ouvir essa canção pisando as areias inspiradoras das praias de Santo Amaro, onde deitado, possa sentir o a magia do “Céu de Santo Amaro”.
[Produzido no curso "Escrita Essencial 1", ministrado por mim]
LA SORĈO DE “CÉU DE SANTO AMARO” [
Paulo Pereira
Nascentttes
“Ĉielo
de Sankto Amaro”, kanto de Caetano Veloso kaj Flávio Venturini, figuras kiel
unu el miaj preferataj. La
muziko estis inspirata em “Arioso” de la Kantata BWV 156, de Johann Sebastian
Bach kaj la liriko estas plena je poezio. Mi sentas enorma sorĉo ĉiam, kiam mi
aŭdas tiun majstroverkon de la nacia kantaro. Mi sentas la gustuman bruon de la
ruinigo de la muro inter la stiloj popola kaj erudicia. Muro kiu neniam
devus esti starigita: fine, la land-limo, krom malnecesa, estas falsa kaj
iluzia.
Sed,
la sentoj, kiuj ĉe mi eliĝas tuŝas la de mia animo, kiel kutime okazas dum la
kontakto kun la arto, poezio, la melodio de bona muziko. Caetano kaj Venturini
superas miajn esperojn parolante pri la amo, kiu min invadas kaj envolvas, kiam
ankaŭ mi “rigardas la ĉielon” “la universon en mi”, “la ĝojon de birdo serĉe
de alia somero”. Kiom da lirismo! Kiom da beleco! Mi eksentas min la flugantan birdon al la senfino en mi. Flugo serĉe de aliaj
printempoj ankaŭ.
[Produktita en la kurso "Esenca Verkado, gvidita de mi!]
DESTRUIÇÃO RECONSTRUÇÃO
Enquanto me escrevo me destruo partes indizíveis reconstruo aquelas em segredo que porque não digo escancaro e criptografo num mesmo movimen...
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CHAMA TRINA Inspiro Luz, retenho Vida, exalo Amor! Inspiro oito, retenho oito, exalo oito, Sempre que d'Isso me lembrar Reluz ...
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LIBERA Libera je ajna ligo je ajna tempo mi pace foriras libera el pasinteco libera el estonteco mi vivas kaj spiras en ĉi tiu est...
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CARTA ABERTA: a Única Revolução Querido P. P. N.: Como sabe, sou sua mestra. Pedagogia é minha profissão e às vezes sou bem severa, co...