16/03/2026

TERROR - TERURO

 


TERROR

    Acordara com aquela vontade estranha. Queria porque queria ver filmes de terror. Percorreu as sinopses disponíveis: Netflix, Prime Vídeo, vasculhou o YouTube. Nada chegava aos pés do que tinha imaginado: vampiro, exorcismo, casa mal-assombrada, zé do caixão, bruxas, escancarado terrorismo de estado. Nem mesmo nos mestres do gênero achara algo de fato horripilante. Aquela busca virava comédia.

    Sem querer, zapeando, deu com os costados no noticiário dos telejornais franceses, espanhóis, norte-americanos, ingleses, israelenses, iraquianos, iranianos, russos, ucranianos. Parou na Deutsche Welle. Embora não entendesse alemão, viu cenas de arrepiar, bombardeios em alvos civis, crianças, mulheres mutiladas, cinegrafistas ensanguentados, aldeias sem água, sem eletricidade, sem comida, mortos pelo chão, cadáveres insepultos. Horror! 

    Só parou de zapear a tevê quando veio o vômito. Controle remoto jazia emporcalhado no luxuoso sofá da sala, roupas imprestáveis, que calçar as sandálias, impossível. Correu atordoado e atrasado para o vaso sanitário. Um horror!


TERURO

    Vekiĝis kun tiu stranga volo. Li volis ĉar volis spekti filmojn pri teruro. Travidis resumojn: Netflix, Prime Video, traserĉis en Youtube. Nenio atingis ela piedojn de kion imagadis: vampiro, exorco, terurita domo, joĉjo-de-l’-ĉerko, sorĉistinoj, evidenta terorismo de ŝtato. Nek en la majstroj de la genro mem, io ja horora. Tiu esploro iĝis komedio.

    Nevole, zapante, falis en la novaĵojn de francaj, hispanaj, usonaj, anglaj, izraelaj, irakaj, iranaj, rusaj, ukrainaj. Haltis en Deutsche Welle. Spite al ne kompreni la germanan, li vidis tremigajn scenojn, bombardoj super civilaj celoj, kripligitaj infanoj, virinoj, sangokovritaj kinematografiistoj, senakvaj, senelektrikaj, sennutraj vilaĝoj, surplankaj mortintoj, sentombaj kadavroj. Hororo! 

    Li nur haltis zap ila televidilon kiam venis vomo. Malpurega teleregilo kuŝis sur la luksa salona sofo, malutilaj vestoj, volis enmeti la sandalojn, neeble. Konsterne kaj malfrue li kuris al la necesujo. Kia hororo!

   

14/03/2026

POESIA ALGUMA É PERFEITA - AJNA POEZIO PERFEKTAS

 


POESIA ALGUMA É PERFEITA

Sei que poesia alguma é perfeita

nem faz da perfeição destino

ausência de liberdade é desatino

algumas é o que são

o doente no meu existir

faz beicinho, e meu ser

só ri na sanidade de alma

e com calma se pergunta

minha poesia o que fala

o que falta em felicidade?

arrisco falta de estímulo?

só falta o que lhe sobra

todas vêm com título

e avisam sem calma

quem adora medalhas e títulos

é o humano não a obra

não a poesia menos ainda

o que me sóbria – a alma!

Na poesia adormeço

no poema, sempre alerta!

poesia é só o começo

no fim a alma desperta

até o poema ataúde

serve à alma plenitude!


AJNA POEZIO PERFEKTAS

Sciite poezi’ nenia perfektas

aŭ igas perfekton destino

foresto de libereco, frenezaĵo

kelkaj estas tio

nur ridas laŭ saneco anima

sin demande kun trankvilo

mia poezio kion diras,

kio mankas en feliĉo?

mi riskas ĉu stimulo?

nur mankas kio restas

ĉiuj venas kun titolo

kaj avizas sen trankvilo

kiu adoras medalojn titolojn

jen humano ne la verko

malpli do la poezio

ĉe mi ja ĝi sobra -- animo!

En poezio mi dormas

en poem', ĉiam pretas!

poezio nur komenco

fine vekiĝas animo

eĉ poemo-ĉerko

iĝas anim' ĉefverko!


ACÊNTRICO - SENCENTRA

 


ACÊNTRICO 

Estou na sequência 

onfalocêntrico, falocêntrico, egocêntrico,

exocêntrico, excêntrico.

Na simultaneidade,

concêntrico, centrocêntrico, acêntrico

Na totalidade,

estou sendo Eu Sou 

Não euzinho, não mimmizinho, 

não exato enquanto existo, 

inato!

Inato Eu Sou!


SENCENTRA 

Statas mi sekve 

onfalocentra, falocentra, egocentra,

ekzocentra, ekscentra.

Simultanece,

kuncentra, centrocentra, sencentra

Tutece,

mi Mi Estas 

Ne eta mi, nek eta min, 

ne ekzakta dum ekzisto, 

nenaskita!

Nenaskita Mi Estas!


28/02/2026

SUNE - SOB O SOL



SUNE
Pluvas ĉe mia kompren'💥
de l’ mondo.
Ĉe mia koro tamen
la mondo sunas!


SOB O SOL
Chove entender o 
mundo
Mas, meu coração 
ao Sol vai fundo!

PRONOMES DEMONSTRATIVOS EM PORTUGAL - PORTUGALAJ MONTRILOJ

 


PRONOMES DEMONSTRATIVOS EM PORTUGAL

Se tudo vibração, energia em movimento,

o que então essa quinta dimensão?

Essa quinta dimensão longe do falante estará,

nesta quinta dimensão vivo nela desde já.

longe aquela quinta dimensão:

5D soa pura poesia, soa mundo real?, 

poema sem compaixão?

autopista, velocidade, mas muito escorregadia,

sem freio perco a calma, ao vento mais uma folha:

essa? esta? aquela?, sempre sua a decisão.

você sua indeciso – a escolha, sempre sua!

pronome – questão de uso,

estado mental – cônscio? confuso?

esta? essa? aquela? – a escolha, sempre sua!

 

PORTUGALAJ MONTRILOJ

ĉio nur vibro, moviĝanta energio,

kio, tiu kvina dimensio?

tiu kvina dimensio el parolanto ja for,

ĉi tiu kvina dimensi' ĉu loĝeja favor’?

pli diste tiu for dimensio

5D tiu-ĉi sonas pura poezio, ĉu reala la mondo? 

ĉu senkompata poem'?

ultrarapida ŝoseo, tamen multe pli glitiga,

senfrene, malkvieto, ĉe vento nura folio:

ĉu tio? tio ĉi? tio for? ĉiam decido via.

ŝvite sendecide – la elekto, ĉiam via!

pronomelekto – laŭ uzo

konscinivelo – ĉu konscio? ĉu konfuzo?

ĉu tio? tio ĉi? tio for? ĉiam decido via!


DEFASAGEM - MALAKORDO

 


DEFASAGEM

Ano da graça: 1949 me sinto um urso

nascido analógico por desgraça

me querem digital no ano em curso

 

crise de identidade agora e-digital, 

fulano de tal constato atônito

sem qualquer enleio: meu correio

é eletrônico, se chama imeio:

em inglês, e-mail

 

antiga a CNH esnoba

agora e-CNH nesse imbróglio

eu, nascido analógico, me vejo

completo analfabeto digital

 

bêbado, pisca meu percurso 

analógico, ilógico, tetraplégico:

ser analógico já não conta

criptografia de ponta a ponta

por mais que erre a câmera 

aponta o código de barra

em farra, agora código QR!

 

MALAKORDO

Graca jaro: 1949 min sintas mi urso

naskiĝinta analogia, malfeliĉe

min oni volas cifereca dum la jar’ en kurso

 

identeca krizo nun e-cifera, 

iu ajn mi konstatas konfuza

sen ajna ravo: mia poŝto

ja ret-poŝto nomiĝas “imeio”:

en la angla e-mail


eksmoda stirpermisilo freneze

iĝis e-permisilo en tiu imbróglio

mi, naskiĝinta analogia, min perceptas

tute cifereca analfabeto

 

mi stumblas ebria

dum la cifereco de mia irvojo 

analogia, senlogika, paralizata:

esti analogia ne gravas

de pinto al pinto kriptografio

ju pli malprave

kamerao sin direktas al stri-kodo

mi troas: nun pli moderna kodo!

ORGANISMO - ORGANISMO

  


                                      ORGANISMO

Sou organismo entre organismos

quisera ser mais orgânico

menos ismos

Organismo que bebe água

transmuta ar terra

essência em fogo

Quisera ser mais orgânico

água terra ar sem tóxico

fogo a temperar o ânimo

Sou organismo e cismo

pouco me abala

organismo de pouca fala

Quisera ser mais sano

que insano

menos alvo seta

mais corpo menos mente

inquieta

Mais orgânico menos tóxico

que poeta

menos teorema, enfim, poema!

mais amor menos doença

menos pensamento:

ser poeta e ser poema

é que compensa!

Eu Sou a Faísca Divina

que manifesta riqueza infinita.

Tudo que eu preciso já está a caminho.

Nada falta. Eu Sou a plenitude!


ORGANISMO

Inter organismoj mi estas organismo

la deziro esti pli organika

malpli ismo

Organismo kiu akvon trinkas

transmutacias aeron teron

esence fajro

Deziro esti pli organika

akvo tero aero sen tokso

fajro hardanta l’animon

Estas mi organismo, sismo

malmulte min skuas

organismo de parol’ malmulta

Deziro esti pli sana ol insana

malpli celo sago

pli da korpo malpli malkvieta menso

pli da ekologio malpli tokso

ol poeto

malpli teoremo, fine, poemo!

Pli da amo malpli malsano

malpli da penso:

esti poeto kaj poemo

jen kompenso!

Mi Estas la Dia Sparko

manifestanta senfinan riĉecon.

Ĉio kiun mi bezonas jam survojas.

Nenio mankas. Mi Estas la pleneco!

POESIA E CIÊNCIA/ POEZIO KAJ SCIENCO

 


POESIA E CIÊNCIA

Ciência toda humana

flerta o previsível

prediz: Natureza engana

brota o indizível

 

Poesia gera o inefável

improvável o poema pena

bico de pena inimaginável

Poesia baila no risco

entorta o intragável

olho que tudo vê

improvável onde pisca cisco

 

POEZIO KAJ SCIENCO

Scienco plene homa

antaŭvideblon flirtas

antaŭvidas: naturo trompas,

nedireblo ĝermas

 

Poezio nedireblon naskas

malprobabla, poem’ suferas

neimagebla plumbeko

poezio bailas sur risko

nemanĝeblaĵo tordiĝas

malprobabla ĉion-vida okulo

kie aĵeto blinkas


CONCLAVE DE GENERAIS, CONCHAVO DE CARDEAIS? - ĈU KONKLAVO DE GENERALOJ, KOLUZIO DE KARDINALOJ?

 


CONCLAVE DE GENERAIS? CONCHAVO DE CARDEAIS? (*)

Arte imita a Vida, que imita a Arte, 

que imita a Vida,

que imita a Arte?

Qual o todo qual a parte?

À parte a sétima arte revela:

conclave é com chave?

Conchavo com chave é?

À poesia qual papel?

Generais cardeais deram tiro no pé?

Uns formam suas igrejas no seio da Madre Igreja

Outros cumprem papeis escalam escadas

no seio de quarteis das forças armadas.

Alguns algumas desalmadas desamadas

querem população armada.

Meninos, meninas eu vi: Ainda estou aqui

No conchavo também vi: Conclave

cardeais se querem Papa, se querem comandantes

generais. Mas, no Carnaval e na Vida,

desce o povão das gerais

desce e toma posse da Avenida.

Atônitos cardeais e generais

(Igreja? quartéis?)

entoam uníssonos hinos?

É a Vida e é bonita, e é bonita!

  

ĈU KONKLAVO DE GENERALOJ, KOLUZIO DE KARDINALOJ? (*)

Arto imitas ĉu Vivon, kiu imitas Arton, 

kiu imitas Vivon,

kiu imitas Arton?

Kiu la tuto, kiu la parto?

Aparte ion rivelas la sepa arto:

ĉu konklavo? ĉu ŝlosilo?

Ĉu ŝlosila koluzio?

Kiel rolas poezio?

Generaloj kardinaloj ĉu sin pafis surpiede?

Iuj eta eklezio sine de l’ Patrina Eklezio

rolas ili grimpi eskalojn sine de armeaj kazernoj

Aliaj, barbaraj, malamataj, pretendas

la popolon armata?

Knaboj, knabinoj, tion vidis mi:

Ankoraŭ mi estas tie-ĉi

Koluzie en Konklavo kardinaloj sin volas Papo,

sin volas komandanto generaloj.

Sed, en Vivo, en Karnavalo,

el ĉielo envenas popolo

enveninte avenuojn ekposedas.

Konsternataj kardinaloj generaloj

(ĉu Eklezie? ĉu Kazerne?)

unutone himnojn kantas?

Jen Vivo kiom bele kia belo!


(*) Poemo verkita post la spektado de du premiitajn filmojn: Ainda estou aqui kaj Conclave.

CALEIDOSCÓPIO DE INVENÇÕES: o menino, o avesso e o rabisco - COLETÂNEA DE POEMAS BILÍNGUES -DULINGVA POEMARO - Pt-Eo


Olá, pessoal, 

Fique de olho! 

Vem aí meu terceiro livro da trilogia "Percurso às avessas". Lançamento previsto para o início do 2º Semestre de 2026. Título: "CALEIDOSCÓPIO DE INVENÇÕES: o menino, o avesso e o rabisco", coletânea de poemas bilíngues (Pt-Eo). Anote aí!

PAULO P NASCENTES


Saluton, geamikoj! 

Atentu bone! 

Survojas mia tria libro de la grupo "Percurso às avessas" ("Kontrauflua Irvojo"), okazanta la Duan Semestron de 2026. Titolo: "KALEIDOSKOPO DE INVENTOJ: la knabo, kontraŭo kaj la strekaĉo", kolekto da dulingva poemoj (Pt-Eo). Notu!

PAULO P NASCENTES

 


TERROR - TERURO

  TERROR     Acordara com aquela vontade estranha. Queria porque queria ver filmes de terror. Percorreu as sinopses disponíveis: Netflix, Pr...