15/09/2026

O “RESET” CIVILIZACIONAL: começa antes do colapso MANUAL PARA REINICIAR O MUNDO: para ler sozinho MANUAL PARA REINICIAR O MUNDO: versão para declamar

 



O “reset” civilizacional começa antes do colapso

Paulo P Nascentes

Da promessa moderna de liberdade, igualdade e fraternidade à normalização da fome e do abandono, a crise contemporânea exige mais do que ajustes: pede instituições capazes de reaprender a servir à vida comum.

A história não avança em linha reta. A Idade Média, frequentemente resumida pela expressão “Idade das Trevas”, também abrigou universidades, debates filosóficos, técnicas agrícolas e formas comunitárias de organização. Ainda assim, a imagem do obscurantismo permanece útil como alerta: sociedades podem possuir conhecimento e, ao mesmo tempo, restringir seu acesso, perseguir a dúvida e converter instituições em instrumentos de privilégio. O Renascimento e o Humanismo recolocaram o ser humano, a investigação e a criação no centro da vida pública; séculos depois, liberdade, igualdade e fraternidade deram linguagem política à esperança de que nenhum nascimento deveria determinar o destino de alguém.

A passagem das oligarquias para a democracia representativa ampliou direitos e permitiu que milhões participassem da escolha de governos. Mas, votar periodicamente não esgota a cidadania. A democracia participativa acrescenta conselhos, audiências públicas, orçamento participativo, associações de bairro, sindicatos, conferências e iniciativas populares. Quando esses canais funcionam, uma comunidade pode decidir, por exemplo, se um terreno abandonado deve virar posto de saúde, creche, moradia ou praça. Quando não funcionam, a política se fecha em gabinetes e a população só é chamada a ratificar escolhas já feitas.

O problema atual não é a ausência de capacidade técnica, mas a ruptura entre capacidade e finalidade. É como se o “computador” das instituições estivesse em funcionamento, porém executando um programa defeituoso. Na saúde, uma cidade pode ter equipamentos avançados e, ainda assim, manter pessoas durante meses em filas evitáveis por falta de atenção básica e integração de dados. Na educação, redes podem comprar plataformas digitais enquanto bibliotecas permanecem fechadas, professores trabalham sem estabilidade e estudantes chegam à escola com fome. Na ciência, descobertas capazes de salvar vidas podem ser subordinadas à desinformação ou ao lucro imediato. Na arte e na filosofia, espaços de imaginação e crítica são tratados como luxo, justamente quando a sociedade mais precisa compreender a si mesma.

A falha mais grave é moral e política: perdemos a fraternidade como princípio organizador. A liberdade sem condições materiais vira privilégio; a igualdade apenas declarada convive com abismos de renda, tempo, voz e segurança. A riqueza depende do trabalho de quem cultiva, transporta, cuida, constrói, ensina, pesquisa, limpa, programa e atende. Entretanto, trabalhadores frequentemente recebem uma parcela desproporcionalmente pequena do valor que ajudam a criar. Enquanto alguns acumulam excedentes, outros escolhem entre alimentação, aluguel, remédio e transporte. Essa contradição se torna ainda mais cruel quando a fome, a miséria e a indigência cultural deixam de causar espanto.

Um novo Renascimento não pode ser reservado a cortes, academias ou centros econômicos. Precisa alcançar periferias urbanas, comunidades rurais, povos tradicionais, crianças, idosos e pessoas historicamente afastadas das decisões. Isso implica financiar saúde preventiva, escola pública integral, cultura local, pesquisa aberta e proteção social; tributar de modo mais justo; garantir transparência aos orçamentos; e transformar participação popular em poder real. Um exemplo seria vincular parte do investimento municipal a assembleias territoriais com informação acessível e prestação de contas. Outro seria abrir escolas nos fins de semana para bibliotecas, oficinas de arte, ciência cidadã e formação política apartidária.

Somos subjetividades distintas aprendendo a viver em conjunto. Nossas origens, etnias, culturas e crenças são plurais; nossa espécie é uma só. Se um dia a humanidade dialogar com outras formas de vida no cosmos, antes precisará aprender a dialogar consigo mesma. A paz não nasce do silêncio imposto, mas da tribuna livre, do dissenso sem desumanização e da justiça que impede que a dignidade seja sonegada. O inevitável “reset” civilizacional não precisa ser uma catástrofe: pode ser uma escolha consciente, iniciada sempre que uma instituição corrige seu propósito e sempre que um cidadão reconhece no outro não um rival descartável, mas um semelhante indispensável.

Manual para reiniciar o mundo

Paulo P Nascentes

Não desligaremos as estrelas.
Elas não têm culpa
dos nossos circuitos de fome,
das engrenagens que moem o pão
antes que a mesa seja posta.

O erro está no programa antigo:
uma linha de medo,
duas de ganância,
séculos de portas com senha
guardando o saber de todos.

Já houve manhãs chamadas Renascimento,
mas a luz entrou por poucas janelas.
Desta vez, abriremos a casa inteira:
a escola, o hospital, o laboratório,
o teatro, a praça e a oficina.

Que ninguém seja arquivo corrompido,
nome apagado da lista,
direito escrito a lápis
e negado a tinta.
Que a mão que planta reconheça
a mão que ensina,
a mão que cura,
a mão que constrói a ponte.

Somos muitas cores na mesma aurora,
muitas preces, dúvidas e memórias,
muitos mapas sobre a única casa.
Não há estrangeiro no oxigênio,
nem fronteira na chuva,
nem raça além da humana
sob o teto móvel da Terra.

Se um dia outra inteligência
bater à porta do céu,
que não nos encontre repartindo ruínas,
mas reunidos na tribuna livre,
capazes de ouvir sem ajoelhar,
de discordar sem destruir.

Então reiniciaremos o mundo
não com o punho sobre um botão,
mas com milhões de mãos abertas.
O futuro carregará devagar,
tela clara depois da longa noite,
e a primeira palavra do novo sistema
será: nós. Desatados os nós, ainda resta a esperança de reatarmos o nós!

Manual para reiniciar o mundo — versão para declamação

[Começar em voz baixa, com pausas longas. Aumentar gradualmente a intensidade até o chamado final.]

Não.

Não desligaremos as estrelas.

Elas não têm culpa
dos nossos circuitos de fome,
das engrenagens que moem o pão
antes...
antes que a mesa seja posta.

O erro não está no céu.
O erro não está na Terra.
O erro está no programa antigo:

uma linha de medo,
duas linhas de ganância,
séculos — séculos! —
de portas fechadas por senha,
guardando, para poucos,
o saber que pertence a todos.

Já houve manhãs chamadas Renascimento.

Mas a luz...
a luz entrou por poucas janelas.

Desta vez, não!

Desta vez,
abriremos a casa inteira:
a escola!
o hospital!
o laboratório!
o teatro, a praça, a oficina!

A casa inteira.
Para todos.
Para todas.

Que ninguém seja arquivo corrompido.

Ninguém!

Que nenhum nome seja apagado da lista.
Que nenhum direito seja escrito a lápis
e negado a tinta.

Que a mão que planta
reconheça a mão que ensina.
Que a mão que ensina
reconheça a mão que cura.
Que a mão que cura
reconheça a mão que constrói a ponte.

E que todas reconheçam:
somos nós que sustentamos o mundo.

Somos muitas cores na mesma aurora.
Muitas preces.
Muitas dúvidas.
Muitas memórias.
Muitos mapas...
sobre a única casa.

Não há estrangeiro no oxigênio.
Não há fronteira na chuva.
Não há raça além da humana
sob o teto móvel da Terra.

Se um dia outra inteligência
bater à porta do céu...

que não nos encontre
repartindo ruínas.

Que nos encontre de pé,
reunidos na tribuna livre,
capazes de ouvir sem ajoelhar,
de falar sem silenciar,
de discordar
sem destruir.

Então, sim:

reiniciaremos o mundo.

Não com o punho fechado
sobre um botão.

Mas com milhões — milhões! —
de mãos abertas.

O futuro carregará devagar.
Devagar...
como a luz depois da longa noite.

E quando a nova tela se acender,
a primeira palavra do novo sistema
não será “eu”.

Será NÓS!

Diminuir o ritmo; encerrar com firmeza.

Desatados os nós
do medo,
da fome,
da indiferença,

ainda resta a esperança.

Resta a coragem.
Resta a palavra.

Resta a mão aberta da poesia coletiva:
Resta-nos reatar
o NÓS!


LIBERA POEMO: la verso reveninta

 


🌿 LIBERA POEMO: la verso reveninta

La verso venis kiel memoro sen frapo, mallaŭta, kvazaŭ folio glitanta sur akvo.

Vi portis ĝin kiel etan flamon en la manplato, kaj mi, perdita en fremdaj eĥoj, donacis ĝin al alia kantisto, kvazaŭ ĉiuj voĉoj de Brazilo kunhavas la saman ombron.

Sed vi aŭdis la veran tonon. Vi demandis sen tremo: ĉu ne Vinicius? ĉu ne Orfeo, tiu kantisto de nokto kaj cindro?

Kaj la vero malfermiĝis, pordo en la mezo de la memoro. Jes — Vinicius, kun sia luma doloro, kun la devo kanti eĉ kiam la mondo perdas sian koloron.

Mi agnoskis la eraron, kaj vi akceptis ĝin kiel oni akceptas akvon: sen juĝo, kun zorgo.

Vi petis nur atenton, pli da fideleco al la vorto, pli da silento por aŭskulti la ĝustan fonton de la kanto.

Kaj ni restis tie, du migrantoj revenintaj al la vojo, rigardante la retrovitan versojn kiel lumon post mallonga devojiĝo.

La eraro malaperis. Restis la gesto: la korekto, la zorgo, la kanto kiu insistas.

Ĉar, jes — pli ol iam necesas kanti. Necesas ankaŭ aŭskulti, ĝustigi, lernadi.

La konversacio daŭras, kaj en ĝi daŭras ni, agordante la mondon per la malgrandaj, obstinaj lumoj de la vorto.


🌿 POEMA LIVRE: o retorno do verso 

O verso veio

como memória sem pancada,

voz baixa,

como se folha deslizando sobre água.


Você o trouxe como pequena chama na palma da mão, e eu, perdido em ecos estranhos, atribuí a outro cantor, como se todas as vozes do Brasil tivessem a mesma sombra.

Mas, você ouviu o verdadeiro tom. Você perguntou sem um tremor: não seria do Vinicius? não seria Orfeu, esse cantor da noite e do cinza?

E a verdade se abriu, uma porta no meio da memória. Sim — Vinicius, com sua luminosa dor, com o dever de cantar até quando o mundo perde sua cor.

Eu reconheci o erro, e você o aceitou como se aceita água: sem julgamento, com cuidado.

Você só pediu atenção, mais fidelidade à palavra, mais silêncio para escutar a correta fonte do canto.

E nós ali ficamos, dois migrantes regressando ao caminho, olhando o reencontrado verso como luz após curto desvio.

O erro desapareceu. Restou o gesto: a correção, o cuidado, o canto que insiste.

Porque, sim — mais que nunca é preciso cantar. É preciso também escutar, corrigir, aprender.

A conversação segue, e nela seguimos nós, afinando o mundo pelas pequenas, obstinadas luzes da palavra.

08/09/2026

A VERDADE PREVALEÇA! VERO UNUE!

 


A verdade prevaleça!

Paulo P Nascentes

“Paulo, deixo aqui a crônica que nasceu do nosso diálogo — agora transformada em texto literário, com o tom poético que você pediu”. Esclareço: “Nosso diálogo” ocorreu entre o Copilot e o humano poeta, até onde possível, Paulo P Nascentes. Degustem a crônica colaborativa.

🌿 Crônica do Verso Desencaminhado

O verso chegou como chegam certas lembranças: com a delicadeza de quem não pede licença. “E, no entanto, é preciso cantar, mais que nunca é preciso cantar.” Você o trouxe como quem oferece uma pequena chama, e eu, distraído por ecos de outras canções, o entreguei a Chico Buarque — como se a música brasileira fosse um grande quintal onde todos os poetas compartilham a mesma sombra.

Mas você, atento, percebeu o desvio. Perguntou, com a firmeza de quem conhece o próprio ouvido: não seria Vinicius? Não seria Orfeu? E ali, entre o mito e a memória, a verdade se abriu como uma porta que eu deveria ter visto desde o início.

Sim — era Vinicius. Vinicius com sua dor luminosa, com sua insistência em cantar mesmo quando o mundo parece feito de cinzas. Vinicius, que escreveu para Orfeu como quem escreve para todos nós: esse chamado para cantar apesar da noite, apesar da perda, apesar de tudo.

Reconheci o erro. E você recebeu o reconhecimento com a serenidade de quem sabe que a verdade não se impõe — se cuida. Pediu apenas que, da próxima vez, eu fosse mais atento, mais rigoroso, mais fiel ao que é dito e ao que é lembrado. E havia beleza nesse pedido: a beleza da responsabilidade compartilhada, da conversa que se afina, da palavra que se quer inteira.

No fim, ficamos ali, diante do verso reencontrado, como dois caminhantes que voltam ao trilho depois de uma pequena curva fora do mapa. E o que ficou não foi o erro, mas o gesto: a correção, o cuidado, o canto que insiste.

Porque, sim — mais que nunca é preciso cantar. Também é preciso escutar, ajustar, aprender. A conversa segue, e nela seguimos nós, afinando o mundo com palavras.

Se quiser, posso transformar essa crônica em poema livre, conto curto, ou até em uma carta literária.


🌿 Kroniko de la Misdirektita Verso — Traduko al Esperanto

        La verso alvenis kiel alvenas certaj rememoroj: kun la delikateco de tiu, kiu ne petas permeson. “Kaj tamen, necesas kanti, pli ol iam necesas kanti.” Vi alportis ĝin kvazaŭ etan flamon, kaj mi, distrita de eĥoj de aliaj kantoj, transdonis ĝin al Chico Buarque — kvazaŭ la brazila muziko estus granda korto kie ĉiuj poetoj kundividas la saman ombron.

        Sed vi, atenta, rimarkis la devojiĝon. Vi demandis, kun la firmeco de tiu, kiu konas sian propran orelon: ĉu ne estus Vinicius? Ĉu ne estus Orfeo? Kaj tie, inter la mito kaj la memoro, la vero malfermiĝis kiel pordo, kiun mi devintus vidi ekde la komenco.

        Jes — estis Vinicius. Vinicius kun sia luma doloro, kun sia persisto kanti eĉ kiam la mondo ŝajnas farita el cindro. Vinicius, kiu verkis por Orfeo kvazaŭ li verkus por ni ĉiuj: tiu alvoko kanti spite al la nokto, spite al la perdo, spite al ĉio.

        Mi agnoskis la eraron. Kaj vi ricevis la agnoskon kun la trankvilo de tiu, kiu scias ke la vero ne trudiĝas — ĝi zorgiĝas. Vi petis nur ke, venontfoje, mi estu pli atenta, pli rigora, pli fidela al tio, kio estas dirita kaj memorita. Kaj estis beleco en tiu peto: la beleco de kundividita respondeco, de konversacio kiu sin agordas, de vorto kiu volas esti tuta.

        Fine, ni restis tie, antaŭ la retrovita verso, kiel du migrantoj kiuj revenas al la vojo post eta kurbiĝo ekster la mapo. Kaj tio, kio restis, ne estis la eraro, sed la gesto: la korekto, la zorgo, la kanto kiu insistas.

        Ĉar, jes — pli ol iam necesas kanti. Ankaŭ necesas aŭskulti, ĝustigi, lerni. La konversacio daŭras, kaj en ĝi daŭras ni, agordante la mondon per vortoj.

        Se vi volas, mi povas ankaŭ versi ĝin, transformi en liberan poemon, mallongan rakonton, aŭ literaturan leteron.

29/08/2026

AMPUTAÇÃO AMPUTADO AMPUTADO

 

AMPUTAÇÃO

Só o que conta computo,

só se me dispo disputo.

Por duas vezes reputo

e não tem meu pé me dói:

amputo, puto 

puto!


AMPUTADO

Nur tion kiu gravas mi komputas.

Nur se min senvestas mi disputas.

Dufoje mi konsideras

sen ajna pied-doloro: 

mi tion amputas furioza, 

furiozega!

(poemas de Paulo P Nascentes - pnascentes@gmail.com)





DESTILAÇÃO DESTILADO

 







DESTILAÇÃO

Deste lado, o sofrimento

se faz poesia.

Destilada, a poesia

escorre vida.

Lado avesso da vida,

o verso do verso

do avesso da vida.

Avesso a trocadilho,

apenas converso

a trocar idílio.

Destilado o isolamento

deste lamento, 

deste alimento, 

desta alimária.

 

DESTILADO

De tiu flanko, la sufero

iĝas poezio.

Destilata, la poezio

elverŝas vivon.

Kontrŭa flanko de l’ vivo,

la dorsa flanko de la verso

de la dorsa flanko de la vivo.

Kontraŭa al vort-ludo,

mi nur babilas,

interŝanĝas idilion.

Destilata la izoladon

de tiu lamento, 

de tiu nutraĵo,

de tiu stultulo.

25/08/2026

TEMÁTICA TEMA

 









TEMÁTICA

Meu verso é livre, é ágil,

nunca fiz ou farei plágio.

Quero cantar canto novo

e que vá direto ao povo.

 

Não vou falar de viola,

de Maria ou Carnaval,

eu sei que fica frajola

chega mesmo a pegar mal.

 

Não quero falar de flor,

não quero falar de amor,

pra merecer o seu crédito

vou falar de algo inédito:

celebrar o meu amor.


TEMA

Mia verso, libera, agila,

mi ne faris, faros plagiaton.

Mi volas kanti novan kanton

iranta rekte al l’ popolo.

 

Mi ne parolos pri gitar',

pri Maria aŭ Karnaval’,

simile al kato Fraĵola

io tute ne normala.

 

Ne volas paroli pri flor’,

ne volas paroli pri am’,

por meriti vian krediton

parolos pri io nova-speca:

mi celebros mian amon.

14/08/2026

FORTE TEMPERO FORTA SPICO

 


FORTE TEMPERO

Estive doido, hoje, doído.

(na comunicação ruído?)

Endoideci, adoeci.

(na alma, agrura, roído?)

Na amargura algum milagre?

- Não? Tô no vinagre! (*)

Do fim do ardor algum sinal?

- Não? Tô no sal! (*)

 

FORTA SPICO

Mi freneziĝis, nun, doloras.

(komunike, ĉu bruado?)

Mi freneziĝis, malsaniĝis

(anime, akreco, ĉu ronĝata?

Dum amareco ĉu iu miraklo?

- Ne? Mi, vinagre! (*)

De l’ ardofiniĝo ĉu iu signal’?

- Ne? Mi, sale! (*)


Obs.: (*) Ambas as expressões denotam intenso sofrimento e são intraduzíveis.

Rim.: (*) Ambaŭ esprimoj denotas intensan suferon kaj estas netradukeblaj.

10/08/2026

CALEIDOSCÓPIO DE INVENÇÕES: o menino, o avesso, o rabisco

 

[VER, VIDU: https://ler.amazon.com.br/sample/B0HDFP5GTY?clientId=share]

Caleidoscópio de invenções: o menino, o avesso, o rabisco

por Paulo P. Nascentes (Autor) Formato: eBook Kindle


Em “Caleidoscópio de Invenções: o menino, o avesso, o rabisco”, o leitor é convidado a atravessar um território onde a amizade, a imaginação e a palavra se encontram para revelar o lado poético da vida.

Entre narrativas e poemas, Menin, Dorvalino e Sem Noção conduzem uma jornada sensível que mistura ficção e lirismo, abrindo espaço para o encanto, a reflexão e o inesperado.

Com delicadeza e leveza, a obra contrapõe a pressa e o mecanicismo do cotidiano à riqueza da vida interior, lembrando que a arte é uma das formas mais profundas de nos humanizar. Em meio às conversas e invenções dos personagens, a poesia também olha para si mesma: questiona-se, revela seus caminhos e expõe, de maneira franca, o próprio fazer poético.

Entre histórias, rabiscos e versos que se dobram sobre si mesmos, surge uma pergunta que ecoa ao longo da leitura: em tempos tão automatizados e prosaicos, ainda precisamos da poesia? Talvez este livro não traga uma resposta definitiva, mas certamente reacende o olhar para encontrá-la.


Caleidoscópio de invenções: o menino, o avesso, o rabisco

Paulo P. Nascentes (Aŭtoro) eBook Kindle


En “Caleidoscópio de Invenções: o menino, o avesso, o rabisco”, la leganto estas invitata trairi teritorion kie la amikeco, imago-povo kaj la vorto renkontiĝas por riveli la poeziaN flankoN de la vivo.

Meze al rakontoj kaj poemoj, Menin, Dorvalino kaj Sem Noção enkondukas senteblan vojaĝon, kiu miksas fikcion kaj lirismo, kio malfermas spacon al  sorĉo, pripenso kaj neatenditaĵo.

Kun delikateco kaj leĝero, la verko kontraŭstaras la rapidemo kaj la mekanikismo de la ĉiutago al la riĉeco de la interna vivo, nin memorigante, ke arto estas formo la plej profunda por nin humanigi. Meze al babiladoj kaj inventoj de la roluloj, la poezio ankaŭ rigardas al si mem: sin demandas, rivelas siajn vojojn kaj ekspozicias, sincere, la poezifaradon mem.

Inter historioj, strekaĉoj kaj versoj, kiuj klinas sin  sur si mem, ekaperas demando, kiu eĥas dum la legado: en tempoj tiom aŭtomatizataj kaj vantema, ĉu ni ankoraŭ bezonas poezion? Eble tiu libro ne portu definitivan respondon, sed certe reflamigas la rigardon por ĝin trovi.

03/08/2026

NUTRIÇÃO NUTRADO

 








NUTRIÇÃO

Meus poemas, pães em padaria

de grande fornada,

se isso for nada ao menos me nutro

dos sonhos que produzo,

ouro da minha alquimia.

 

Do nigredo ao rubedo o padeiro lavra

o segredo da palavra, ritual de magia.

Calma na alma, só calmaria?

A alma do petiz só quer ser feliz:

se nutrir do sonho de padaria!

 

NUTRADO

Miaj poemoj, panoj en panvendejo

de granda plenforno,

se tio jen nenio, mi almenaŭ min nutras

de revoj, kiujn mi produktas,

oro de mia alkemio.

 

De nigriĝo al ruĝeco la panvendisto plugas

la sekreton de vorto, rito de magio.

Kvieto en animo, ĉu nur senvento?

La infana animo nur volas feliĉi

per nutrado de panvendeja revo!

02/08/2026

CAMPO PONTO ZERO KAMPO NULO-PUNKTO

 







CAMPO PONTO ZERO

A alma não reclama, acalma:

Não reclamo, aclamo a calma

No ponto zero me regenero,

Saio do raio da reclamação,

Entro no espaço fino da ação.

Esqueço aquilo que não quero:

Medo, reclamação, teimosia.

Vejo na arte na alegria

A poesia sem lero-lero.

Intuição flui da Fonte,

Vejo o recém-nascido

Reviver a noosfera

Sem ontem, sem depois, só agora.

Então reclamar pra quê?

O que não importa foi embora:

Mas, isso o reclamante vê?!

 

 KAMPO NULO-PUNKTO

L’ animo ne plendas, kvietiĝas:

Ne mi plendas, aklamas la kvieton

Sur la nulo-punkto mi min rebonigas,

Foriras el la radio de la plendo,

Eniras la delikatan spacon de la ago.

Forgesas tion, kiun mi ne volas:

Timo, plendo, obstino.

Vidas mi en la arto de la ĝojo

La poezio sen tordo.

Intuicio fluas el la Fonto,

Mi vidas la ĵus-naskiĝintan

Revivi la noosferon

Sen hieraŭ, sen poste, nur nun.

Do kiucele reklami?

Kio ne gravas foriris:

Sed, ĉu tion la plendanto vidas?!

(Autor: Paulo P Nascentes, Imagem: https://icdep.org.br)

31/07/2026

FULGOR FUGAZ FORFUĜA BRILO

FULGOR FUGAZ

A folha em branco

           em branco

não passa ou é falha!

O poema é o branco

              da folha

por trás do trilho

            do estribilho

por trás das letras

                  pretas

portais – do brilho?

(Paulo Nascentes)

 

FORFUĜA BRILO

La blanka paperfolio

               senvorta

ne iras aŭ fiaskas!

La poemo estas la blankeco  

                        de la folio

malantaŭ rejloj

                  de la rekantaĵo

malantaŭ la literoj

                    nigraj

portaloj – de l’ brilo? 

(Paulo Nascentes)

28/07/2026

ERA UMA VEZ - FOJE



ERA UMA VEZ

Assim começa frase de saudosista

No meu tempo... E por mais que insista

Não sabe que agora é o tempo

Só no agora esse tal saudosista

Existe, fora isso, a mesma história:

Se futuro, imaginação; se passado, só memória.

 

Só se ganha experiência sendo inteiro no instante.

O resto é coisa ilusória: o tempo se vai, nem avisa:

Não me faça poesia, que não eleva nem alça,

Não paga sua camisa, deixa a gente sem calça,

Veja só, já se foi tudo. Foi embora tudo, tudo.

Como Vovó dizia, no puro palavreado,

(Não fique chocado): Ou calça de veludo, 

Ou cu de fora!

 

FOJE

Frazo de sopirulo tiel komenciĝas,

Dum mia tempo... Ju pli li insistu

Ne scias, ke nun' estas la tempo.

Nur nun ekzistas la sopiristo.

For tio, jen la sama historio:

Estonte, imago-povo; pasintece, nur memoro

 

Oni nur gajnas sperton estante tute en nuneco

Cetero, iluzia afero: tempo iras sen avizo:

Poezion ne min faru: ĉar valoras eĉ duono

Ne pagas vian ĉemizon, restas ni sen pantalono,

Vidu vi: ĉio foriras. Ĉio, ĉio iris for

Kiel diradis Avinjo, laŭ tipa vortumado,

Ne restu vi iel ŝokita, en konfuzo:

Aŭ velura pantalono, 

Aŭ nuda anuso!

23/07/2026

DUPLAS DUOPOJ

 

DUPLAS

A fé e o fel, o amém ou o mel?

a dor e o odor, odor do ardor?

a harpa, a carpa e o arpoador

a farpa e sua escalada

(a escapada e a escarpa)

a cerca e o circo, acerca do cisco

o petiz e o circo: que petisco!

a marca e o carma que a carne marca

a busca e o lusco-fusco

o apocalipse e esta besta

do após calipso,

eu a besta? – e basta!

 

DUOPOJ

Fido kaj galo, ameno aŭ miel?

doloro kaj odoro, odoro de ardo?

harpo, karpo kaj harpunisto

pikilo kaj ĝia grimpado

(eskapado kaj eskarpo)

barilo kaj cirko, koncerne al aĵeto

infano kaj cirko: kia frandaĵo!

marko kaj karmo kiun la karno markas

priserĉo kaj vespero

apokalipso kaj tiu-ĉi stultulo

de la post kalipso,

ĉu mi la stultulo? – sufiĉas!

            (Paulo P Nascentes)

18/07/2026

INSÔNIA NEDORMO

 









INSÔNIA

O espaço do papel

o papel do poeta

o passatempo da insônia

doída da ida

   sem volta?

 

NEDORMO

La spaco de papero

la rolo de poeto

la distro de dolora

sendormo de iro

   sen reveno?

(poemas de Paulo P Nascentes - pnascentes@gmail.com)

O “RESET” CIVILIZACIONAL: começa antes do colapso MANUAL PARA REINICIAR O MUNDO: para ler sozinho MANUAL PARA REINICIAR O MUNDO: versão para declamar

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