31/07/2026

FULGOR FUGAZ FORFUĜA BRILO

FULGOR FUGAZ

A folha em branco

           em branco

não passa ou é falha!

O poema é o branco

              da folha

por trás do trilho

            do estribilho

por trás das letras

                  pretas

portais – do brilho?

(Paulo Nascentes)

 

FORFUĜA BRILO

La blanka paperfolio

               senvorta

ne iras aŭ fiaskas!

La poemo estas la blankeco  

                        de la folio

malantaŭ rejloj

                  de la rekantaĵo

malantaŭ la literoj

                    nigraj

portaloj – de l’ brilo? 

(Paulo Nascentes)

28/07/2026

ERA UMA VEZ - FOJE



ERA UMA VEZ

Assim começa frase de saudosista

No meu tempo... E por mais que insista

Não sabe que agora é o tempo

Só no agora esse tal saudosista

Existe, fora isso, a mesma história:

Se futuro, imaginação; se passado, só memória.

 

Só se ganha experiência sendo inteiro no instante.

O resto é coisa ilusória: o tempo se vai, nem avisa:

Não me faça poesia, que não eleva nem alça,

Não paga sua camisa, deixa a gente sem calça,

Veja só, já se foi tudo. Foi embora tudo, tudo.

Como Vovó dizia, no puro palavreado,

(Não fique chocado): Ou calça de veludo, 

Ou cu de fora!

 

FOJE

Frazo de sopirulo tiel komenciĝas,

Dum mia tempo... Ju pli li insistu

Ne scias, ke nun' estas la tempo.

Nur nun ekzistas la sopiristo.

For tio, jen la sama historio:

Estonte, imago-povo; pasintece, nur memoro

 

Oni nur gajnas sperton estante tute en nuneco

Cetero, iluzia afero: tempo iras sen avizo:

Poezion ne min faru: ĉar valoras eĉ duono

Ne pagas vian ĉemizon, restas ni sen pantalono,

Vidu vi: ĉio foriras. Ĉio, ĉio iris for

Kiel diradis Avinjo, laŭ tipa vortumado,

Ne restu vi iel ŝokita, en konfuzo:

Aŭ velura pantalono, 

Aŭ nuda anuso!

23/07/2026

DUPLAS DUOPOJ

 

DUPLAS

A fé e o fel, o amém ou o mel?

a dor e o odor, odor do ardor?

a harpa, a carpa e o arpoador

a farpa e sua escalada

(a escapada e a escarpa)

a cerca e o circo, acerca do cisco

o petiz e o circo: que petisco!

a marca e o carma que a carne marca

a busca e o lusco-fusco

o apocalipse e esta besta

do após calipso,

eu a besta? – e basta!

 

DUOPOJ

Fido kaj galo, ameno aŭ miel?

doloro kaj odoro, odoro de ardo?

harpo, karpo kaj harpunisto

pikilo kaj ĝia grimpado

(eskapado kaj eskarpo)

barilo kaj cirko, koncerne al aĵeto

infano kaj cirko: kia frandaĵo!

marko kaj karmo kiun la karno markas

priserĉo kaj vespero

apokalipso kaj tiu-ĉi stultulo

de la post kalipso,

ĉu mi la stultulo? – sufiĉas!

            (Paulo P Nascentes)

19/07/2026

AMPUTAÇÃO AMPUTADO

 

AMPUTAÇÃO

Só o que conta computo,

só se me dispo disputo.

Por duas vezes reputo

e não tem meu pé me dói:

    amputo

          puto puto!


AMPUTADO

Nur tion kiu gravas mi komputas.

Nur se min senvestas mi disputas.

Dufoje mi konsideras

sen ajna pied-doloro: 

    mi tion amputas 

        furioza, furiozega!

(poemas de Paulo P Nascentes - pnascentes@gmail.com)





18/07/2026

INSÔNIA NEDORMO

 









INSÔNIA

O espaço do papel

o papel do poeta

o passatempo da insônia

doída da ida

   sem volta?

 

NEDORMO

La spaco de papero

la rolo de poeto

la distro de dolora

sendormo de iro

   sen reveno?

(poemas de Paulo P Nascentes - pnascentes@gmail.com)

15/07/2026

FONTE FONTO

 


FONTE

Água brotando, Perrier refinada,

meu sentimento flui como se do nada

surgisse, plenitude vazia,

oceano de possibilidades,

colapsam você e a poesia!

    Você, a poesia amada

    que o espaço povoa e revela:

tua chegada, ela mesma,

a sagrada revelação: é ela, é ela!


Do canto inicial da incerteza

brota a água limpa da canção.

Em mim você, a harmonia

andamento ritmo rima

a malha sutil e fina:

e nos sustenta, anima e constitui.

Agora Eu Sou água poesia

bem chegada de onde tudo flui.


FONTO

Spruĉanta akvo, rafinita Perrier,

mia sento fluas kvazaŭ el nenio

ekaperus, malplena pleneco,

oceano de ebloj

kolapsas vi kaj poezio!

    Vi, la amata poezio

    kie loĝas kaj rivelas sin

via alveno, ĝi mem,

sankta revelacio: jen ŝi, jen ŝi!


De la komenca kanto de l' necerteco

spruĉas la pura akvo de l' kanto.

Ĉe mi vi, la harmonio

takto, ritmo, rimo,

la subtila delikata maŝo mem

kiu nin subtenas, vigligas, konstituas:

nun ni estas poezio, akvo

bone alvenata de Kie ĉio fluas.

(poemas de Paulo P Nascentes - pnascentes@gmail.com)


               

11/07/2026

SONETO MEDITA E SILENCIA - SONETO MEDITAS KAJ SILENTAS

 


SONETO MEDITA E SILENCIA

Quantos sonetos tem a tempestade? 

Que rimas ricas deu o vento à chuva?

Que palavra tem mais preplexidade:

riso de morto ou pranto de viúva?


Mona Lisa: sorriso tem idade?

A velhice já te espera ali na curva?

Somos eternos na maternidade?

O tempo é contramão ou contra luva?


Que futuro o futuro pode ter

se às vezes nem consegue envelhecer

e morre sem saber o seu passado?


Passa o poeta. Fica a poesia

pingando um pouco ainda a melodia?

O que dirá meu verso assim calado?

                * * *

SONETO MEDITAS KAJ SILENTAS

Kiom da sonetoj havas la tempesto? 

Kiujn riĉajn rimojn donis vento al pluvo?

Kiu vorto havas pli da perplekso:

ĉu mortinta rido, ĉu vidvina ploro?


Mona Lisa: kiom rideto aĝas?

Ĉu maljuneco vin atendas en kurbo?

Ĉu ni estas eternaj en kuŝejo?

Ĉu tempo kontraŭfluo aŭ kontraŭ ganto?


Kian futuron estonto povos havi

se foje ĝi eĉ ne sukcesas maljuniĝi?

kaj mortas sen pasinteca scio?


Paŝas la poeto. Restas poezio.

Ĉu ankoraŭ gutas iomete melodio?

Kion diros tiom silenta mia verso?

(poemas de Paulo P Nascentes - pnascentes@gmail.com)

23/06/2026

SEM TERAPIA - SEN TERAPIO

 


SEM TERAPIA

Busquei refúgio no tempo, 

habitação cheia de hábitos.

Entediado busquei passatempo

evitando posar de sábio: 

Caí na meditação e habitei

o palacete da poesia.


Rotina veio com distração:

tentei terapia, agradeci ter a pia

repleta de louça suja.

Voltei ao palácio da poesia,

me deitei na rede num cochilo,

me vi tranquilo, o coração batia

sem pressa, com alegria

de quem desconhece a copa sob a copa

copiosa da mangueira

e me veio o refrão: com que roupa

eu vou na feira que você me convidou.

Bom batuta, não mudei minha conduta!


SEN TERAPIO

Rifuĝis mi en tempo, 

loĝejo plena je kutimoj.

Teda traserĉis hobion

evitis ŝajni saĝa: 

en medito mi falis kaj loĝis

en la palacego de poezio.

 

Rutino venis kun distro:

mi provis terapion, dankis havi lavujon

plena je telerojn malpurajn.

Revene al la palaco de poezio,

dormema, mi kuŝiĝis en hamako,

Vidis min trankvila, la koro batadis

sen hasto, kun la ĝojo

de kiu malkonas la mondpokalon

sub la abunda kanopeo de mangoarbo.

Venis al mi la refreno: kiun vestaĵon

mi uzu / en la foiro al kiu vi invitis min.

Bona ruzulo, mi ne ŝanĝis mian konduton!

(poemas de Paulo P Nascentes - pnascentes@gmail.com)


15/06/2026

CHRONOS-KAIRÓS

 


KHRONOS’-KAIROS’

Funcionas no modo Chronos,

meu coração, no Kairós.

Ainda assim, somos,

amo você em nós.

Encarnas o princípio do dever

nada deixa a dever

e pode equilibrar o viver:

funciono no modo prazer.

Menos Chronos mais Kairós,

menos relógios, fora de antes, depois,

como você deseja e pressente,

sou seu presente

presente em você, em mim, em nós!

 

 KHRONOS’-KAIROS’

 Funkcias vi laŭ Khronos',

mia koro, laŭ Kairos'.

Tamen, restas ni,

mi amas vin en mi.

Simbolas vi la principon devi.

Nenion ignoras aŭ forlasas,

ekvilibras vi la viv’,

laŭplezure funkcias mi.

Malpli da Khronos', pli da Kairos',

malpli da horloĝoj, for antaŭ, post,

laŭ tamen via antaŭsento kaj dezir’,

mi estas via donaco,

ĉeeste en vi, en mi, en ni!

(poemas de Paulo P Nascentes - pnascentes@gmail.com)

09/06/2026

DESTRUIÇÃO RECONSTRUÇÃO




Enquanto me escrevo me destruo partes indizíveis
reconstruo aquelas em segredo
que porque não digo escancaro e criptografo
num mesmo movimento.

Um pouco antes, ágrafo. Durante e então, enxurrada.
Logo depois, liberto escravo...

Escravo do que escrevo, liberto do que oprimia,
desperto e agora me atrevo
a não dizer o que escondia...

**********

Dum mi min priverkas nedireblaĵojn detruas  
kaŝe rekonstruas 
kiujn, ĉar mi ne diras, malfermegas kriptografe
en nura sama movo.

Iom antaŭe, neniu grafio. Dŭme kaj tiam, torenta akvo.
Tuj poste, liberigita sklavo...

Sklavo de mia verkaĵo, libera de kio min premis,
vekiĝinta mi nun aŭdacas
ne diri tion, kiun kaŝadis...
(poemas de Paulo P Nascentes - pnascentes@gmail.com)

OPUS MAGNUM

 


da polifonia do texto
o pretexto para a sinfonia
da polissemia do poema
o teorema da poesia

da harmonia rítmica do metro 
o casamento alquímico
dos nossos lábios e genitais
transmuta o que ainda chumbo
em ouro alquímico e paz
perfuma o atanor
ainda mais o nosso amor

**********************

el la tekstopolifonio
preteksto al simfonio
el multsignifa poem’
la poezia teorem’

de l’ harmonio metroritma
la alkemia edziĝo
de niaj lipoj kaj naskig-organoj:
kio ankoraŭ plumba ja transmutacias
en alkemian oron pacan
parfumas ankoraŭ plie
la ujon viglan de nia am’
(poemas de Paulo P Nascentes - pnascentes@gmail.com)

DESENCANTO - SENILUZIIĜO

 💔 💔 💔


DESENCANTO

à moda de Manuel Bandeira (*)


faço poemas como quem cora

tão desatento ao desencanto

pecha do livre que nos devora

sois emotivo e duro e pranto


poema range ruge o dente

retesa o espaço em morse vão

mas morse é morte (ninguém entende)

e quem entende não fala não


e este poema de angu na boca

assim quisera estar de porre

cantar mais livre a verdade toda


        - mas faço versos como quem corre…



 💔 💔 💔


SENILUZIIĜO

simile al Manuel Bandeira (*)


honte mi poeziumas

malzorgata seniluzi’

misvoras libero misa

trosentemon ploron umas mi


roras kaj grincas tiu poemo

spaco streĉa (nur vana kodo)

mortanta kodo nur morsa kodo 

komprenemulo silenta emo


tiu surbuŝa kaĉ' el farun'

ĉu emas poemo al ebri'?

tutan plenveron ni kantu plu


        - kuro-simila poezi'…


(*) Manuel Bandeira (1886-1968) estas brazila poeto de modernismo iel romantisma. La originalan poemon oni konsideras metapoemo, tio estas, poemo celanta priskribi la proceson mem de la beletra kreado.

(Paulo P Nascentes - pnascentes@gmail.com)


AMOR DE CAMA E MESA - LITA KAJ TABLA AMO

 


AMOR DE CAMA E MESA

a poesia bote a mesa

a poesia brote à mesa

a proeza o bote a cama

a pureza brote a cama

a poesia firme acesa

a poesia afirme-a tesa

a princesa a teia a cama:

equilibrada ente sim e não

a amada ateia a chama

inflama cama e mesa

à chama conte com tesãããããão

 

 

LITA KAJ TABLA AMO

poezio preparu tablon

poezio ĝermu ĉe tablo

heroeco boato lito

la pureco ĝermu ĉe lito

poezio firmu eklumiga

poezio asertu sin streĉa

princino teksaĵo lito:

amatino flamon ardigas

inflamigas liton tablon

al flamo rakontu

kun seks-arrrrdo

(Paulo P Nascentes - pnascentes@gmail.com)

FULGOR FUGAZ FORFUĜA BRILO

FULGOR FUGAZ A folha em branco            em branco não passa ou é falha! O poema é o branco               da folha por trás do tr...