30/01/2026

OLHAR POÉTICO Ainda estou aqui! - POEZIA RIGARDO Ankoraŭ mi estas ĉi tie!

 OLHAR POÉTICO Ainda estou aqui!


enquanto lábios beijos ardem 
látegos ardem peles nuas 
porões quartéis clandestinos

famílias clãs destinos se rompiam
dilacerados pela tortura nos filhos
amordaçados desaparecidos

gritos surdos corredores ecoam 
lúgubres fétidos sangue escoa
sugada juventude corpo castigado

ainda estou aqui - diz a sétima arte
olhar frio documentário-poesia 
choram marias clarices eunices

deputado desaparecido 
diretório acadêmico  
docente silenciado
sussurros: sabe quem ficou gripado?

código ou eufemismo? 
até atestado de óbito
naquele clima endêmico
seria comemorado...
Ainda estou aqui! 

POEZIA RIGARDO Ankoraŭ mi estas ĉi tie!

dum lipoj kisoj ardaj 
skurĝoj ardaj nudaj haŭtoj 
kaŝaj kazernaj keloj

rompataj familioj klan' destinoj 
dispecigataj de torturaj filoj
silentigataj malaperintaj 

surdaj krioj koridore eĥadas 
funebra fetora sango skuadas
suĉada juneco punata korpo 

ankoraŭ mi estas ĉi tie - diras la sepa arto
frida rigardo poezia dokumentario 
ploras marias clarices eunices

malaperinta deputito
akademia direktorio
docento silentigita
susuroj: ĉu vi scias kiu gripiĝis?

ĉu kodo ĉu eŭfemismo? 
eĉ mortatesto 
en tiu endemia etoso
finfine komemorata...
Ankoraŭ mi ĉi tie! 

14/01/2026

SEGREDO SEKRETO

 

SEGREDO

Menin, Sem-Noção, Dorvalino

três inseparáveis amigos?

Só dois? o outro, só apelido?

A pergunta mesma, Sem-Noção.

Dorvalino – dor e orvalho –

preferia a madrugada, a orgia

ao trabalho – alguém mais?

Menin – o menino que pintava o acontecer –

se perguntava, agora rapaz,

“o que vou ser, o que vou ser?”

“Menin, você já é! Você já é!”

Sem-Noção ao amigo devolvia a paz:

“Quem de nós é apelido, cognome?”

Dorvalino num poema respondia:

“Não sei se sou eu – mas, me consome

o envelhecer, essa dor tardia.”

Na senectude não pensa a juventude,

agora chegado, o envelhecer ardia:

envelhecer – a ele não se alude

mas, traz consigo algum medo.

“Tio Velho, como é fazer 100 anos?

qual o segredo, qual o segredo?”

Respondia sem embaraço: 

Não seiÉ a primeira vez que faço.

Vai vivendo, vivendo e não pensa.

Medo do ataúde? Não! Fiz o que pude!”

Cheio de atitude:

“Convocarei uma coletiva de imprensa,

revelarei do centenário o meu segredo”

E ante câmeras e microfones revelou sem medo:

“Muito simples, meu jovem! É só não morrer cedo!”

Acrescentou, bom-humor elegante:

“É só não morrer antes!”. Cravou matreiro:

“Celebre Sua Excelência o coveiro,

mas, siga vivendo o seu segredo

(que não se revela a ninguém)

“Como viver, passar dos 100?”

- “É só não morrer cedo! É só não morrer cedo!"

E como passarinho beliscou sua taça de vinho!


Notas do Autor: Protagonistas de meus livros: 

1. Menin (Menin: o menino que pintava o acontecer. Curitiba-PR: Ordem Rosacruz - AMORC, 1992)

2. Dorvalino Mendes (Percurso às avessas: Dorvalino semimorre. Guaratinguetá-SP: Penalux, 2021)

3. Sem Noção (Rabiscos poéticos de um sem-noção: o avesso do percurso. Brasília-DF: L&C Editorial, 2024).

* * *

SEKRETO

Menin, Sen-Nocio, Dorvalino, 

ĉu tri neaparteblaj amikoj?

ĉu du? la alia, nur alnomo?

La demando mem, Sen-Nocio.

Dorvalino – dolor’ kaj roso –

preferis frumatenojn, orgion

al la laboro – ĉu iu plu?

Menin: la knabo kiu pentris l’ okazantaĵon –

sin demandis, nun junul’,

“kio estos mi, kio estos mi?”

“Menin, jam vi estas! Jam vi estas!”

Sen-Nocio al l’ amiko redonis la pacon:

“Kiu el ni estas alnomo, krom-nomo?”

Dorvalino respondis per poemo:

“Ĉu mi, mi ne scias – sed, min konsumas

la maljuniĝo, malfrua doloro.”

Pri maljunaĝo ne pensas gejunuloj,

nun alveninta, maljuneco ardis

maljuniĝo – al ĝi neniu aludas

sed, tio portas certan timon.

“Onklo Oldulo, kiel ŝajnas 100-jariĝi?

kiu la sekreto, kiu la sekreto?”

Sen-tiklece li respondis: “Mi ne scias!

Unuafoje nun mi 100-jariĝas.

Nur vivu, nur vivu, ne tro pensu.”

“Ĉu ĉerkon pritimi? "Ne! Mi faris la plej bonon!”

Plene je sinteno:

“Mi kunvokos kolektivan intervjuon,

Rivelos pri l’ 100-jariĝo mian sekreton”

Antaŭ kameraoj kaj mikrofonoj sentime diris:

“Tre simple, kara junul’! Sufiĉas ne frue morti!”

Elegante aldonis bon-humora:

“Sufiĉas ne frue morti!”

Kaj ruze: “Celebru Sian Moŝton la tombiston,

sed, daŭre vivu la sekreton

(al neniu rivelinda)

“Kiel vivi pli ol 100-jariĝo?”

- “Sufiĉas ne frue morti!”, “Sufiĉas ne frue morti!”

kaj kiel birdeto trinketis sian kalikon da vino!


Notoj de la Aŭtoro: Protagonistoj de miaj libroj: 

1. Menin (Menin: o menino que pintava o acontecer. Curitiba-PR: Ordem Rosacruz - AMORC, 1992)

2. Dorvalino Mendes (Percurso às avessas: Dorvalino semimorre. Guaratinguetá-SP: Penalux, 2021)

3. Sem Noção (Rabiscos poéticos de um sem-noção: o avesso do percursoBrasília-DF: L&C Editorial, 2024).



01/01/2026

APORIA II APORIOII

 

APORIA II

Tem essa pele que arde e coça,

mãos e unhas assassinas

raiva sem nome sem tino

essa carnificina


Olhar assustado do menino

a virar moço, suor, esforço

pra ser o primeiro da classe

ah! se o rapaz falasse:

por que tanto alvoroço?

onde o fim do poço?

onde enfim o desenlace

desta e de tantas batalhas?

ao primeiro da classe 

restam o peito, as medalhas.

todo o bônus, todo o crédito

naquele mote militar: ao primeiro lugar

"honra ao mérito"


Ao menino desejo o melhor

ao moço menos alvoroço

ao rapaz, agora adulto,

nesse Natal, o indulto:

ser compaixão, amor adulto

sinto muito, me perdoe, sou grato, te amo,

sinto muito, sinto muito!


APORIO II

Jen tiu haŭto ardas, jukas,

murdantaj manoj, ungoj,

sennoma freneza kolero

tiu multmortigo


Ektimiga rigardo de l' knabo

preskaŭ junul', ŝvito, penado

por esti la unua de l' klaso

ha! se parolus la junulo:

kial tioma konfuzo?

kie la fino de l' puto?

kie finfine la solvo

de tiu, tiomaj bataloj?

a la unua de l' klaso 

restas la brusto, medaloj,

ĉiu profito, kredito

en tiu milita devizo: a la unua ulo

"honoro al merito"


Al la knabo plej bonon deziras mi

al junul' malpli da konfuz'

al junul', nun plenkreskul',

ĉi-Kristnaske, la amnestion:

iĝi kompato, matura amo

mi multe sentas, min pardonu, dankeme amas vin,

mi multe sentas, multe sentas!



IMPRUDÊNCIA MALPRUDENTO

 

IMPRUDÊNCIA

(Ao compositor Belchior, in memoriam)

Tão ensimesmado tão ensimesmado

deu por si, o caminhão:

acabou atropelado na contramão 

por auto não identificado.

Sumiu nas asas da escuridão

e no pedido de socorro

o mote ali a seu lado:

Tenho sangrado demais

Tenho chorado pra cachorro

Ano passado eu morri

Mas esse ano eu não morro


Coração em festa, admitiu-se errado:

resposta a mais honesta

mora na luz da alma

vem num sussurro vem calma

água descendo morro

se aninha em qualquer fresta:

Tenho sangrado demais

Tenho chorado pra cachorro

Ano passado eu morri

Mas esse ano eu não morro


Se a pele é palha seca

nela ponho fumo de rolo

acendo pito: vem pitar aqui mais eu

tirou a roupa (me compreendeu)

a companheira me atende

e acende o pito na fogueira

a preguiça de pronto escorro:

Tenho sangrado demais

Tenho chorado pra cachorro

Ano passado eu morri

Mas esse ano eu não morro


MALPRUDENTO

(Al komponisto Belchior, in memoriam)

Tiom enmemiĝema tiom enmemiĝema

kaj subite, kamiono.

Finiĝis kontraŭdirekte trafita

de aŭto ne identigita.

Forpereis flugile de la mallumo

en la helpopeto liaflanke la moto:

Mi sangadis tro

Mi ploradis tro kaj tro

Pasint-jare mi mortis

Sed ĉi-jare ne mortos


Festema konsentis la koro pri l’ trompiĝo:

respondo la plej honesta

loĝas lume de l’ animo

susure venas kviete venas

akvo la monton descendas

nestiĝas en ajna fendo:

Mi sangadis tro

Mi ploradis tro kaj tro

Pasint-jare mi mortis

Sed ĉi-jare ne mortos


Se l' haŭto iĝas seka pajlo

sur ĝi la fumon mi metas

bruligas pipon: venu fumi ĉe mi

senvestiĝas ŝi (min komprenis)

amatino min atencas

rebruligas la pipon en la fajro

mia pigro tuj elfluas:

Mi sangadis tro

Mi ploradis tro kaj tro

Pasint-jare mi mortis

Sed ĉi-jare ne mortos

CALEIDOSCÓPIO DE INVENÇÕES: o menino, o avesso e o rabisco - COLETÂNEA DE POEMAS BILÍNGUES -DULINGVA POEMARO - Pt-Eo

Olá, pessoal,  Fique de olho!  Vem aí meu terceiro livro da trilogia "Percurso às avessas". Lançamento previsto para o início do 2...