14/01/2026

SEGREDO SEKRETO

 

SEGREDO

Menin, Sem-Noção, Dorvalino

três inseparáveis amigos?

Só dois? o outro, só apelido?

A pergunta mesma, Sem-Noção.

Dorvalino – dor e orvalho –

preferia a madrugada, a orgia

ao trabalho – alguém mais?

Menin – o menino que pintava o acontecer –

se perguntava, agora rapaz,

“o que vou ser, o que vou ser?”

“Menin, você já é! Você já é!”

Sem-Noção ao amigo devolvia a paz:

“Quem de nós é apelido, cognome?”

Dorvalino num poema respondia:

“Não sei se sou eu – mas, me consome

o envelhecer, essa dor tardia.”

Na senectude não pensa a juventude,

agora chegado, o envelhecer ardia:

envelhecer – a ele não se alude

mas, traz consigo algum medo.

“Tio Velho, como é fazer 100 anos?

qual o segredo, qual o segredo?”

Respondia sem embaraço: 

Não seiÉ a primeira vez que faço.

Vai vivendo, vivendo e não pensa.

Medo do ataúde? Não! Fiz o que pude!”

Cheio de atitude:

“Convocarei uma coletiva de imprensa,

revelarei do centenário o meu segredo”

E ante câmeras e microfones revelou sem medo:

“Muito simples, meu jovem! É só não morrer cedo!”

Acrescentou, bom-humor elegante:

“É só não morrer antes!”. Cravou matreiro:

“Celebre Sua Excelência o coveiro,

mas, siga vivendo o seu segredo

(que não se revela a ninguém)

“Como viver, passar dos 100?”

- “É só não morrer cedo! É só não morrer cedo!"

E como passarinho beliscou sua taça de vinho!


Notas do Autor: Protagonistas de meus livros: 

1. Menin (Menin: o menino que pintava o acontecer. Curitiba-PR: Ordem Rosacruz - AMORC, 1992)

2. Dorvalino Mendes (Percurso às avessas: Dorvalino semimorre. Guaratinguetá-SP: Penalux, 2021)

3. Sem Noção (Rabiscos poéticos de um sem-noção: o avesso do percurso. Brasília-DF: L&C Editorial, 2024).

* * *

SEKRETO

Menin, Sen-Nocio, Dorvalino, 

ĉu tri neaparteblaj amikoj?

ĉu du? la alia, nur alnomo?

La demando mem, Sen-Nocio.

Dorvalino – dolor’ kaj roso –

preferis frumatenojn, orgion

al la laboro – ĉu iu plu?

Menin: la knabo kiu pentris l’ okazantaĵon –

sin demandis, nun junul’,

“kio estos mi, kio estos mi?”

“Menin, jam vi estas! Jam vi estas!”

Sen-Nocio al l’ amiko redonis la pacon:

“Kiu el ni estas alnomo, krom-nomo?”

Dorvalino respondis per poemo:

“Ĉu mi, mi ne scias – sed, min konsumas

la maljuniĝo, malfrua doloro.”

Pri maljunaĝo ne pensas gejunuloj,

nun alveninta, maljuneco ardis

maljuniĝo – al ĝi neniu aludas

sed, tio portas certan timon.

“Onklo Oldulo, kiel ŝajnas 100-jariĝi?

kiu la sekreto, kiu la sekreto?”

Sen-tiklece li respondis: “Mi ne scias!

Unuafoje nun mi 100-jariĝas.

Nur vivu, nur vivu, ne tro pensu.”

“Ĉu ĉerkon pritimi? "Ne! Mi faris la plej bonon!”

Plene je sinteno:

“Mi kunvokos kolektivan intervjuon,

Rivelos pri l’ 100-jariĝo mian sekreton”

Antaŭ kameraoj kaj mikrofonoj sentime diris:

“Tre simple, kara junul’! Sufiĉas ne frue morti!”

Elegante aldonis bon-humora:

“Sufiĉas ne frue morti!”

Kaj ruze: “Celebru Sian Moŝton la tombiston,

sed, daŭre vivu la sekreton

(al neniu rivelinda)

“Kiel vivi pli ol 100-jariĝo?”

- “Sufiĉas ne frue morti!”, “Sufiĉas ne frue morti!”

kaj kiel birdeto trinketis sian kalikon da vino!


Notoj de la Aŭtoro: Protagonistoj de miaj libroj: 

1. Menin (Menin: o menino que pintava o acontecer. Curitiba-PR: Ordem Rosacruz - AMORC, 1992)

2. Dorvalino Mendes (Percurso às avessas: Dorvalino semimorre. Guaratinguetá-SP: Penalux, 2021)

3. Sem Noção (Rabiscos poéticos de um sem-noção: o avesso do percursoBrasília-DF: L&C Editorial, 2024).



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