06/06/2026

O QUERERES - PRI LA VOLO

 


O Quereres

Caetano Veloso

Tradução ao Esperanto: Paulo Pereira Nascentttes

Totalmente Demais


Onde queres revólver, sou coqueiro
Onde queres dinheiro, sou paixão
Onde queres descanso, sou desejo
E onde sou só desejo, queres não
E onde não queres nada, nada falta
E onde voas bem alta, eu sou o chão
E onde pisas o chão, minha alma salta
E ganha liberdade na amplidão

Onde queres família, sou maluco
E onde queres romântico, burguês
Onde queres Leblon, sou Pernambuco
E onde queres eunuco, garanhão
Onde queres o sim e o não, talvez
E onde vês, eu não vislumbro razão
Onde o queres o lobo, eu sou o irmão
E onde queres cowboy, eu sou chinês

Ah! bruta flor do querer
Ah! bruta flor, bruta flor

Onde queres o ato, eu sou o espírito
E onde queres ternura, eu sou tesão
Onde queres o livre, decassílabo
E onde buscas o anjo, sou mulher
Onde queres prazer, sou o que dói
E onde queres tortura, mansidão
Onde queres um lar, revolução
E onde queres bandido, sou herói

Eu queria querer-te amar o amor
Construir-nos dulcíssima prisão
Encontrar a mais justa adequação
Tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e de viés
E vê só que cilada o amor me armou
Eu te quero (e não queres) como sou
Não te quero (e não queres) como és

Ah! bruta flor do querer
Ah! bruta flor, bruta flor

Onde queres comício, flipper-vídeo
E onde queres romance, rock'n roll
Onde queres a lua, eu sou o sol
Onde a pura natura, o inseticídio
Onde queres mistério, eu sou a luz
E onde queres um canto, o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro
E onde queres coqueiro, eu sou obus

O quereres e o estares sempre a fim
Do que em mim é de mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal
Bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente pessoal
E querendo querer-te sem ter fim
E, querendo-te, aprender o total
Do querer que há e do que não há em mim

Pri la volo

Kanto de Caetano Veloso 1984

Fonto: LyricFind

Komponisto: Caetano Emmanuel Viana Teles Veloso

Muzikteksto de “O quereres” © Warner Chappell Music, Inc

Traduko: Paulo Pereira Nascentttes

 

Revolveron vi volas, mi, kokoso

Kie mi, nur deziro, ja ne vi

Kie flugas vi alta mi, plafon’

Premas vi la plafonon, anim' saltas

Kaj ĝi gajnas liberon je senfin’

Romantika min volas, mi, burĝul’

Se vi volas eŭnukon, vir-ĉeval’

Kie vi volas jes kaj ne, ver-ŝajn’

Kie volas vakeron, mi nur ĉin’

Kie volas vi agon, mi, spirit’

Kie volas teneron, mi, seksard’

Kie volas liberon, deksilabas

Se vi volas plezuron, dolorig'

Fari mildan katenadon al ni du

Vidu, celis embuskon al mi am’

Mi vin volas, vi ne, kia jen mi

Ne vin volas, nek vi kia jen vi

Kie volas mitingon, mi, bilard'

Se romanon vi volas, rokenrol'

Kie puran naturon, inset-murd'

Kie volas misteron, mi la lum’

Kie bordon vi volas, tuta mondo

Kie volas Karesmon, Februaro

Kie volas kokoson, mi obus’

Pri en mi kio estas malegal’

Volas bonon malbonon mi al vi

Absolute he mi persone aŭ

Kaj, pro ĉi-volo, tuta lern' el vi 



CICLOS NA VIDA, NA DEP, NA VIDA - VIVOCIKLOJ EN DEP, EN VIVO

 


CICLOS NA VIDA, NA DEP, NA VIDA

(Paulo Pereira Nascentttes)

Manhã do novo dia após a transição,

madrugada, alvorada, madrugada:

da noite e seu açoite ao dia por nascer,

do meio-dia de novo à meia-noite

e de novo o novo alvorecer.

 

Da pequena morte do ego e seu apego

chego ao raiar do novo dia.

Do ego me desapego, do arredio

desembarco na fonte da paciência,

levo meu bardo, meu barco

de novo à ciência da paz:

a paciência que jorra da consciência

tem por codinome não a fome do ego,

mas a paz que perfaz o maná

e a manhã da nova consciência.


VIVOCIKLOJ EN DEP, EN VIVO

Mateno de nova tago post transiro

maten-ruĝo, frumateno, maten-ruĝo:

de l' nokto kaj skurĝo al naskiĝonta tago,

de l' tagmezo denove al noktomezo

kaj denove jen nova maten-ruĝo.

 

De l’ eta egoa morto kaj alligo

alveno al novtaga radio.

de l’ egoo al mallig’, de l’ foriĝemo

elbarkiĝas mi en la fonto de pacienco,

portanta mian bardon, mian barkon,

denove al mia paca scienco:

la ŝprucanta pacienco de la konscienco

kies kodnom’ ne estas la malsato de l’ egoo,

sed la paco kiu elfaras la manaon

kaj la matenon de l’ nova konscienco.

O QUERERES - PRI LA VOLO

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