22/03/2026

DEFASAGEM - MALAKORDO

 


DEFASAGEM

Ano da graça: 1949 me sinto um urso

nascido analógico por desgraça

me querem digital no ano em curso

crise de identidade agora e-digital, 

fulano de tal constato atônito

sem qualquer enleio: meu correio

é eletrônico, se chama imeio:

em inglês, e-mail

antiga, a CNH esnoba

agora e-CNH nesse imbróglio

eu, nascido analógico, me vejo

completo analfabeto digital

bêbado, pisca meu percurso 

analógico, ilógico, tetraplégico:

ser analógico já não conta

criptografia de ponta a ponta

por mais que erre, a câmera 

aponta o código de barra

em farra, agora código QR!

MALAKORDO

Graca jaro: 1949 min sintas mi urso

naskiĝinta analogia, malfeliĉe

min oni volas cifereca dum la jar’ en kurso

identeca krizo nun e-cifera, 

iu ajn mi konstatas konfuza

sen ajna ravo: mia poŝto

ja ret-poŝto nomiĝas “imeio”:

en la angla e-mail


eksmoda stirpermisilo freneze

iĝis e-permisilo en tiu imbróglio

mi, naskiĝinta analogia, min perceptas

tute cifereca analfabeto

mi stumblas ebria

dum la cifereco de mia irvojo 

analogia, senlogika, paralizata:

esti analogia ne gravas

de pinto al pinto kriptografio

ju pli malprave

kamerao sin direktas al stri-kodo

mi troas: nun pli moderna kodo!

PRONOMES DEMONSTRATIVOS EM PORTUGAL - PORTUGALAJ MONTRILOJ

 


PRONOMES DEMONSTRATIVOS EM PORTUGAL

Se tudo vibração, energia em movimento,

o que então essa quinta dimensão?

Essa quinta dimensão longe do falante estará,

nesta quinta dimensão vivo nela desde já.

longe aquela quinta dimensão:

5D soa pura poesia, soa mundo real?, 

poema sem compaixão?

autopista, velocidade, mas muito escorregadia,

sem freio perco a calma, ao vento mais uma folha:

essa? esta? aquela?, sempre sua a decisão.

você sua indeciso – a escolha, sempre sua!

pronome – questão de uso,

estado mental – cônscio? confuso?

esta? essa? aquela? – a escolha, sempre sua!

PORTUGALAJ MONTRILOJ

ĉio nur vibro, moviĝanta energio,

kio, tiu kvina dimensio?

tiu kvina dimensio el parolanto ja for,

ĉi tiu kvina dimensi' ĉu loĝeja favor’?

pli diste tiu for dimensio

5D tiu-ĉi sonas pura poezio, ĉu reala la mondo? 

ĉu senkompata poem'?

ultrarapida ŝoseo, tamen multe pli glitiga,

senfrene, malkvieto, ĉe vento nura folio:

ĉu tio? tio ĉi? tio for? ĉiam decido via.

ŝvite sendecide – la elekto, ĉiam via!

pronomelekto – laŭ uzo

konscinivelo – ĉu konscio? ĉu konfuzo?

ĉu tio? tio ĉi? tio for? ĉiam decido via!


TERROR - TERURO

 


TERROR

    Acordara com aquela vontade estranha. Queria porque queria ver filmes de terror. Percorreu as sinopses disponíveis: Netflix, Prime Vídeo, vasculhou o YouTube. Nada chegava aos pés do que tinha imaginado: vampiro, exorcismo, casa mal-assombrada, zé do caixão, bruxas, escancarado terrorismo de estado. Nem mesmo nos mestres do gênero achara algo de fato horripilante. Aquela busca virava comédia.

    Sem querer, zapeando, deu com os costados no noticiário dos telejornais franceses, espanhóis, norte-americanos, ingleses, israelenses, iraquianos, iranianos, russos, ucranianos. Parou na Deutsche Welle. Embora não entendesse alemão, viu cenas de arrepiar, bombardeios em alvos civis, crianças, mulheres mutiladas, cinegrafistas ensanguentados, aldeias sem água, sem eletricidade, sem comida, mortos pelo chão, cadáveres insepultos. Horror! 

    Só parou de zapear a tevê quando veio o vômito. Controle remoto jazia emporcalhado no luxuoso sofá da sala, roupas imprestáveis, quis calçar as sandálias, impossível. Correu atordoado e atrasado para o vaso sanitário. Um horror!


TERURO

    Vekiĝis kun tiu stranga volo. Li volis ĉar volis spekti filmojn pri teruro. Travidis resumojn: Netflix, Prime Video, traserĉis en Youtube. Nenio atingis ela piedojn de kion imagadis: vampiro, exorco, terurita domo, joĉjo-de-l’-ĉerko, sorĉistinoj, evidenta terorismo de ŝtato. Nek en la majstroj de la genro mem, io ja horora. Tiu esploro iĝis komedio.

    Nevole, zapante, falis en la novaĵojn de francaj, hispanaj, usonaj, anglaj, izraelaj, irakaj, iranaj, rusaj, ukrainaj. Haltis en Deutsche Welle. Spite al ne kompreni la germanan, li vidis tremigajn scenojn, bombardoj super civilaj celoj, kripligitaj infanoj, virinoj, sangokovritaj kinematografiistoj, senakvaj, senelektrikaj, sennutraj vilaĝoj, surplankaj mortintoj, sentombaj kadavroj. Hororo! 

    Li nur haltis zap ila televidilon kiam venis vomo. Malpurega teleregilo kuŝis sur la luksa salona sofo, malutilaj vestoj, volis enmeti la sandalojn, neeble. Konsterne kaj malfrue li kuris al la necesujo. Kia hororo!

   

21/03/2026

POESIA ALGUMA É PERFEITA - AJNA POEZIO PERFEKTAS

 


POESIA ALGUMA É PERFEITA

Sei que poesia alguma é perfeita

nem faz da perfeição destino

ausência de liberdade é desatino

algumas é o que são

o doente no meu existir

faz beicinho, e meu ser

só ri na sanidade de alma

e com calma se pergunta

minha poesia o que fala

o que falta em felicidade?

arrisco falta de estímulo?

só falta o que lhe sobra

todas vêm com título

e avisam sem calma

quem adora medalhas e títulos

é o humano não a obra

não a poesia menos ainda

o que me sóbria – a alma!

Na poesia adormeço

no poema, sempre alerta!

poesia é só o começo

no fim a alma desperta

até o poema ataúde

serve à alma plenitude!


AJNA POEZIO PERFEKTAS

Sciite poezi’ nenia perfektas

aŭ igas perfekton destino

foresto de libereco, frenezaĵo

kelkaj estas tio

nur ridas laŭ saneco anima

sin demande kun trankvilo

mia poezio kion diras,

kio mankas en feliĉo?

mi riskas ĉu stimulo?

nur mankas kio restas

ĉiuj venas kun titolo

kaj avizas sen trankvilo

kiu adoras medalojn titolojn

jen humano ne la verko

malpli do la poezio

ĉe mi ja ĝi sobra -- animo!

En poezio mi dormas

en poem', ĉiam pretas!

poezio nur komenco

fine vekiĝas animo

eĉ poemo-ĉerko

iĝas anim' ĉefverko!


14/03/2026

ACÊNTRICO - SENCENTRA

 


ACÊNTRICO 

Estou na sequência 

onfalocêntrico, falocêntrico, egocêntrico,

exocêntrico, excêntrico.

Na simultaneidade,

concêntrico, centrocêntrico, acêntrico

Na totalidade,

estou sendo Eu Sou 

Não euzinho, não mimmizinho, 

não exato enquanto existo, 

inato!

Inato Eu Sou!


SENCENTRA 

Statas mi sekve 

onfalocentra, falocentra, egocentra,

ekzocentra, ekscentra.

Simultanece,

kuncentra, centrocentra, sencentra

Tutece,

mi Mi Estas 

Ne eta mi, nek eta min, 

ne ekzakta dum ekzisto, 

nenaskita!

Nenaskita Mi Estas!


28/02/2026

SUNE - SOB O SOL



SUNE
Pluvas ĉe mia kompren'💥
de l’ mondo.
Ĉe mia koro tamen
la mondo sunas!


SOB O SOL
Chove entender o 
mundo
Mas, meu coração 
ao Sol vai fundo!

ORGANISMO - ORGANISMO

  


                                      ORGANISMO

Sou organismo entre organismos

quisera ser mais orgânico

menos ismos

Organismo que bebe água

transmuta ar terra

essência em fogo

Quisera ser mais orgânico

água terra ar sem tóxico

fogo a temperar o ânimo

Sou organismo e cismo

pouco me abala

organismo de pouca fala

Quisera ser mais sano

que insano

menos alvo seta

mais corpo menos mente

inquieta

Mais orgânico menos tóxico

que poeta

menos teorema, enfim, poema!

mais amor menos doença

menos pensamento:

ser poeta e ser poema

é que compensa!

Eu Sou a Faísca Divina

que manifesta riqueza infinita.

Tudo que eu preciso já está a caminho.

Nada falta. Eu Sou a plenitude!


ORGANISMO

Inter organismoj mi estas organismo

la deziro esti pli organika

malpli ismo

Organismo kiu akvon trinkas

transmutacias aeron teron

esence fajro

Deziro esti pli organika

akvo tero aero sen tokso

fajro hardanta l’animon

Estas mi organismo, sismo

malmulte min skuas

organismo de parol’ malmulta

Deziro esti pli sana ol insana

malpli celo sago

pli da korpo malpli malkvieta menso

pli da ekologio malpli tokso

ol poeto

malpli teoremo, fine, poemo!

Pli da amo malpli malsano

malpli da penso:

esti poeto kaj poemo

jen kompenso!

Mi Estas la Dia Sparko

manifestanta senfinan riĉecon.

Ĉio kiun mi bezonas jam survojas.

Nenio mankas. Mi Estas la pleneco!

POESIA E CIÊNCIA/ POEZIO KAJ SCIENCO

 


POESIA E CIÊNCIA

Ciência toda humana

flerta o previsível

prediz: Natureza engana

brota o indizível

 

Poesia gera o inefável

improvável o poema pena

bico de pena inimaginável

Poesia baila no risco

entorta o intragável

olho que tudo vê

improvável onde pisca cisco

 

POEZIO KAJ SCIENCO

Scienco plene homa

antaŭvideblon flirtas

antaŭvidas: naturo trompas,

nedireblo ĝermas

 

Poezio nedireblon naskas

malprobabla, poem’ suferas

neimagebla plumbeko

poezio bailas sur risko

nemanĝeblaĵo tordiĝas

malprobabla ĉion-vida okulo

kie aĵeto blinkas


CONCLAVE DE GENERAIS, CONCHAVO DE CARDEAIS? - ĈU KONKLAVO DE GENERALOJ, KOLUZIO DE KARDINALOJ?

 


CONCLAVE DE GENERAIS? CONCHAVO DE CARDEAIS? (*)

Arte imita a Vida, que imita a Arte, 

que imita a Vida,

que imita a Arte?

Qual o todo qual a parte?

À parte a sétima arte revela:

conclave é com chave?

Conchavo com chave é?

À poesia qual papel?

Generais cardeais deram tiro no pé?

Uns formam suas igrejas no seio da Madre Igreja

Outros cumprem papeis escalam escadas

no seio de quarteis das forças armadas.

Alguns algumas desalmadas desamadas

querem população armada.

Meninos, meninas eu vi: Ainda estou aqui

No conchavo também vi: Conclave

cardeais se querem Papa, se querem comandantes

generais. Mas, no Carnaval e na Vida,

desce o povão das gerais

desce e toma posse da Avenida.

Atônitos cardeais e generais

(Igreja? quartéis?)

entoam uníssonos hinos?

É a Vida e é bonita, e é bonita!

  

ĈU KONKLAVO DE GENERALOJ, KOLUZIO DE KARDINALOJ? (*)

Arto imitas ĉu Vivon, kiu imitas Arton, 

kiu imitas Vivon,

kiu imitas Arton?

Kiu la tuto, kiu la parto?

Aparte ion rivelas la sepa arto:

ĉu konklavo? ĉu ŝlosilo?

Ĉu ŝlosila koluzio?

Kiel rolas poezio?

Generaloj kardinaloj ĉu sin pafis surpiede?

Iuj eta eklezio sine de l’ Patrina Eklezio

rolas ili grimpi eskalojn sine de armeaj kazernoj

Aliaj, barbaraj, malamataj, pretendas

la popolon armata?

Knaboj, knabinoj, tion vidis mi:

Ankoraŭ mi estas tie-ĉi

Koluzie en Konklavo kardinaloj sin volas Papo,

sin volas komandanto generaloj.

Sed, en Vivo, en Karnavalo,

el ĉielo envenas popolo

enveninte avenuojn ekposedas.

Konsternataj kardinaloj generaloj

(ĉu Eklezie? ĉu Kazerne?)

unutone himnojn kantas?

Jen Vivo kiom bele kia belo!


(*) Poemo verkita post la spektado de du premiitajn filmojn: Ainda estou aqui kaj Conclave.

CALEIDOSCÓPIO DE INVENÇÕES: o menino, o avesso e o rabisco - COLETÂNEA DE POEMAS BILÍNGUES -DULINGVA POEMARO - Pt-Eo


Olá, pessoal, 

Fique de olho! 

Vem aí meu terceiro livro da trilogia "Percurso às avessas". Lançamento previsto para o início do 2º Semestre de 2026. Título: "CALEIDOSCÓPIO DE INVENÇÕES: o menino, o avesso e o rabisco", coletânea de poemas bilíngues (Pt-Eo). Anote aí!

PAULO P NASCENTES


Saluton, geamikoj! 

Atentu bone! 

Survojas mia tria libro de la grupo "Percurso às avessas" ("Kontrauflua Irvojo"), okazanta la Duan Semestron de 2026. Titolo: "KALEIDOSKOPO DE INVENTOJ: la knabo, kontraŭo kaj la strekaĉo", kolekto da dulingva poemoj (Pt-Eo). Notu!

PAULO P NASCENTES

 


27/02/2026

DESCASCAR ESSE ABACAXI

 


DESCASCAR ESSE ABACAXI
        Estou sem sono sem sono sem sono e sem saco de fazer disso poesia estou cansado dessa saúde meia-boca fragilidade ausência de norte calmaria espera angustiante de não sei bem o quê O que estiver por vir virá sem me pedir licença e nada será de mau de mal normal o que estiver por vir O porvir não nos pertence nada pode deter o curso do que já se precipita sobre quem sensibilidade tenha então que venha o vento que ventar o que tá difícil de aguentar é essa calmaria que nos impede o navegar e navegar é preciso essa batelada sem fim de exames e seus parâmetros de exigência fria como fogueira em cinza como o tempo de nuvens cinza cinza cinza falta azul vermelho alaranjado tudo em volta está deserto tudo certo como dois e dois são cinza cinzeiro que não para e nem fumar eu fumo ora sem bituca pra que cinzeiro pra que cinza esse teto de zinco quente com gato quente Pra que tanto exame vexame se nem matéria tem para estudar Estou sem sono sono sono e sem saco saco saco dessa loucura em que nos metemos como espécie – a humana desumana o asteroide venha nos destruir um avatar venha nos instruir e se possível nos salvar de nós mesmos de nossa arrogância incompetência flatulência ignorância inconsequência Catástrofe já não virá estamos no meio dela e a inauguração foi outro dia mesmo e nem nos demos conta está por um fio faz calor faz frio zelo e gelo se sucedem nos pensamentos que não cedem não cessam não param nos encobrem sufocam tiram o sono como se fôssemos robot com t mudo pois nem palavra nos sobra nossa a obra nossa a sobra e de sobra não somos nada sóbrios somos pobres indigentes sem ter onde cair morto Que direção seguir se o vento parou de ventar e essa calmaria é pior que fervura em banho-maria se finge de brandura mas não dura o tempo necessário necessário para quê? Pra dormir e descansar descascar esse abacaxi que enfim plantamos e vamos colhendo – para quê para quê para quê???


SOLVI TIUN PROBLEMON
        Sen-dorma volo mi estas sen-dorma volo sen-dorma volo sen-dorma volo kaj sendeziro fari poezi-fari pri tio mi estas laca pri tiu duon-sano fragileco manko de nordo senvento korprema atendo pri  io ajn Kio venontas venos sen mia permeso kaj nenio estos malbono malbone normala kio venontos Estonto al ni ne apartenas nenio povas halti la kurson de tiu, kiu jam sin ĵetigas sur kiu sentemon havas venu do la ventanta vento kio kion malfacilas teni estas tiu senvento nin malpermesanta navigi navigi necesas tiun lavangon da senfina medicina esploro malfacilas kun siaj parametroj de malvarma postulo kvazaŭ fajro-cindroj kiel la tempo de grizaj nuboj grizaj grizaj grizaj manko de blua ruĝa oranĝkolora ĉio ĉirkaŭe estas deserta ĉio enorde kiel du plus du estas griza cindrujo kiu ne ĉesas sed eĉ fumi mi ne fumas nu sen stumpo kial cindrujo kial griza tiu tegmento de varma zinko kun varma kato Kial tiom da ekzameno embaraso se eĉ studmaterialo malestas Mi estas sendorma sendorma sendorma kaj senpacienca senpacienca senpacienca pri tiu frenezo kie ni falis kiel specio – la humana asteroido venu nin detrui avataro venu nin instrui kaj se eble nin savi el ni mem el nia aroganteco malkompetento furz-ellaso ignoro sensekvo Katastrofo jam ne venos ni estas meze de ĝi kaj la inaŭguro okazis iam kaj ni perceptis preskaŭ nenion varmiĝas malvarmiĝas zorgo glacio sinsekvas en la pensoj, kiuj ne cedas ne ĉesas ne haltas nin kovras sufokas forigas nian dormon kvazaŭ ni estus robot per muta t ĉar eĉ vorto restas nia la verko nia la resto kaj cetere ni estas neniel sobraj povraj mizeruloj eĉ sen kie morti Kien iri se vento haltis venti kaj tiu senvento estas pli malbone ol bolanta akvo en bol-bano ŝajnigas mildeco sed nesufiĉe daŭras la necesa necesa tempo kiucele? Por dormi kaj ripozi senŝeligi tiun ananason, kiun ni mem plantis kaj rikoltadas – kiucele kiucele kiucele???


14/02/2026

PEPITA DE OURO - OR-GRAJNO

 


PEPITA DE OURO

1

a inquietação persiste parecendo luz inquieta

com seu dedo em riste

nas feridas do poeta

no seu canto insiste sua voz é incompleta

e o poeta assiste

sua sombra se faz seta

o que falta? o que sobra?

o que acontece? O que se precipita?

do insondável vem a obra?

o que tanto assim me agita?

como isso se desdobra?

tem ouro nessa pepita?

2

assim como o texto esconde na medida em que aparece

nessa medida responde:

embora luz, obscurece

esse alívio vem de onde? o que se espalha se junta?

poema jamais responde?

poesia é só pergunta?

com que o alívio parece

como se junta ou se espalha?

se poema enfraquece?

onde reside a falha?

tendo ouro nessa prece

poesia vence a batalha

OR-GRAJNO

1

daŭras iu malkvieto ŝajnas malkvieta lum’

jenas fingro en akuz’

sur la vundoj de l’ poeto

per sia kanto insisto sia voĉo nekompleta

videblas poeta ago

kies ombro iĝas sago

kio mankas? troas kio? kio staras? falas kio?

venas verko el mister’?

kio ĉe mi, agitiĝo? kiel tioma vastiĝo?

en or-greno ĉu trezor’?

2

ne ĉion la teksto montras aperas io estonta

ekestas jen io kura pro tio venos respondo:

ĉu eble lum’ obskura?

el kie la malakrig’? post-disiĝ’, kuniĝas io?                 

poem’ ĉu respondas iam?

nur demand’ ĉu Poezi’?

malakrig’ similas kio?

ĉu kuniĝ’ iel disiĝas?

la poem’ ĉu malfirmiĝas?

se manko, ho kie ĝi? 

en preĝ’, ĉu oro, ĉu kio?     

batalon venkas poezi’?


04/02/2026

INGÊNUIDADE DIGITAL - CIFERECA NAIVECO

 
INGENUIDADE DIGITAL


No Ano da Graça de 1949

nasci analógico

mas, para minha desgraça

me querem digital


minha crise de identidade

vem e-digital fulano de tal

já meio atônito constato

sem enleio meu correio eletrônico

se chama imeio 

do original e-mail


antiga a CNH botou pra quebrar

virou e-CNH e nesse imbróglio

eu que nasci analógico

me vejo analfabeto digital

sigo trôpego bêbedo

no piscar digital

do meu percurso analógico

ilógico quase tetraplégico

ser analógico já não conta

criptografado de ponta a ponta

por mais que erre

ao apontar a câmera

num código-QR


CIFERECA NAIVECO

 

En la Ano Domine 1949

naskiĝis mi analogia

sed, malfeliĉe

oni min volas cifereca

 

mia krizo identeca

tiu e-cifereca tiulo

duon-surprizita sin konstatas

sen ravo mia retadreso

nomiĝas “imeio”

originale e-mail

 

antikva la “CNH” furoris

kiel e-CNH: en tiu konfuzo

naskiĝinta analogia

mi min vidas cifereca naivulo

iras mi ebria stumbla

dum la cifereca palpebrumo

de mia analogia irvojo

mallogika preskaŭ kvadriplegia

esti analogia ekstermodiĝis

absolute kriptografita

eĉ se plu eraras

cele de mia kamerao

al QR-kodo




30/01/2026

OLHAR POÉTICO Ainda estou aqui! - POEZIA RIGARDO Ankoraŭ mi estas ĉi tie!

 OLHAR POÉTICO Ainda estou aqui!


enquanto lábios beijos ardem 
látegos ardem peles nuas 
porões quartéis clandestinos

famílias clãs destinos se rompiam
dilacerados pela tortura nos filhos
amordaçados desaparecidos

gritos surdos corredores ecoam 
lúgubres fétidos sangue escoa
sugada juventude corpo castigado

ainda estou aqui - diz a sétima arte
olhar frio documentário-poesia 
choram marias clarices eunices

deputado desaparecido 
diretório acadêmico  
docente silenciado
sussurros: sabe quem ficou gripado?

código ou eufemismo? 
até atestado de óbito
naquele clima endêmico
seria comemorado...
Ainda estou aqui! 

POEZIA RIGARDO Ankoraŭ mi estas ĉi tie!

dum lipoj kisoj ardaj 
skurĝoj ardaj nudaj haŭtoj 
kaŝaj kazernaj keloj

rompataj familioj klan' destinoj 
dispecigataj de torturaj filoj
silentigataj malaperintaj 

surdaj krioj koridore eĥadas 
funebra fetora sango skuadas
suĉada juneco punata korpo 

ankoraŭ mi estas ĉi tie - diras la sepa arto
frida rigardo poezia dokumentario 
ploras marias clarices eunices

malaperinta deputito
akademia direktorio
docento silentigita
susuroj: ĉu vi scias kiu gripiĝis?

ĉu kodo ĉu eŭfemismo? 
eĉ mortatesto 
en tiu endemia etoso
finfine komemorata...
Ankoraŭ mi ĉi tie! 

14/01/2026

SEGREDO SEKRETO

 

SEGREDO

Menin, Sem-Noção, Dorvalino

três inseparáveis amigos?

Só dois? o outro, só apelido?

A pergunta mesma, Sem-Noção.

Dorvalino – dor e orvalho –

preferia a madrugada, a orgia

ao trabalho – alguém mais?

Menin – o menino que pintava o acontecer –

se perguntava, agora rapaz,

“o que vou ser, o que vou ser?”

“Menin, você já é! Você já é!”

Sem-Noção ao amigo devolvia a paz:

“Quem de nós é apelido, cognome?”

Dorvalino num poema respondia:

“Não sei se sou eu – mas, me consome

o envelhecer, essa dor tardia.”

Na senectude não pensa a juventude,

agora chegado, o envelhecer ardia:

envelhecer – a ele não se alude

mas, traz consigo algum medo.

“Tio Velho, como é fazer 100 anos?

qual o segredo, qual o segredo?”

Respondia sem embaraço: 

Não seiÉ a primeira vez que faço.

Vai vivendo, vivendo e não pensa.

Medo do ataúde? Não! Fiz o que pude!”

Cheio de atitude:

“Convocarei uma coletiva de imprensa,

revelarei do centenário o meu segredo”

E ante câmeras e microfones revelou sem medo:

“Muito simples, meu jovem! É só não morrer cedo!”

Acrescentou, bom-humor elegante:

“É só não morrer antes!”. Cravou matreiro:

“Celebre Sua Excelência o coveiro,

mas, siga vivendo o seu segredo

(que não se revela a ninguém)

“Como viver, passar dos 100?”

- “É só não morrer cedo! É só não morrer cedo!"

E como passarinho beliscou sua taça de vinho!


Notas do Autor: Protagonistas de meus livros: 

1. Menin (Menin: o menino que pintava o acontecer. Curitiba-PR: Ordem Rosacruz - AMORC, 1992)

2. Dorvalino Mendes (Percurso às avessas: Dorvalino semimorre. Guaratinguetá-SP: Penalux, 2021)

3. Sem Noção (Rabiscos poéticos de um sem-noção: o avesso do percurso. Brasília-DF: L&C Editorial, 2024).

* * *

SEKRETO

Menin, Sen-Nocio, Dorvalino, 

ĉu tri neaparteblaj amikoj?

ĉu du? la alia, nur alnomo?

La demando mem, Sen-Nocio.

Dorvalino – dolor’ kaj roso –

preferis frumatenojn, orgion

al la laboro – ĉu iu plu?

Menin: la knabo kiu pentris l’ okazantaĵon –

sin demandis, nun junul’,

“kio estos mi, kio estos mi?”

“Menin, jam vi estas! Jam vi estas!”

Sen-Nocio al l’ amiko redonis la pacon:

“Kiu el ni estas alnomo, krom-nomo?”

Dorvalino respondis per poemo:

“Ĉu mi, mi ne scias – sed, min konsumas

la maljuniĝo, malfrua doloro.”

Pri maljunaĝo ne pensas gejunuloj,

nun alveninta, maljuneco ardis

maljuniĝo – al ĝi neniu aludas

sed, tio portas certan timon.

“Onklo Oldulo, kiel ŝajnas 100-jariĝi?

kiu la sekreto, kiu la sekreto?”

Sen-tiklece li respondis: “Mi ne scias!

Unuafoje nun mi 100-jariĝas.

Nur vivu, nur vivu, ne tro pensu.”

“Ĉu ĉerkon pritimi? "Ne! Mi faris la plej bonon!”

Plene je sinteno:

“Mi kunvokos kolektivan intervjuon,

Rivelos pri l’ 100-jariĝo mian sekreton”

Antaŭ kameraoj kaj mikrofonoj sentime diris:

“Tre simple, kara junul’! Sufiĉas ne frue morti!”

Elegante aldonis bon-humora:

“Sufiĉas ne frue morti!”

Kaj ruze: “Celebru Sian Moŝton la tombiston,

sed, daŭre vivu la sekreton

(al neniu rivelinda)

“Kiel vivi pli ol 100-jariĝo?”

- “Sufiĉas ne frue morti!”, “Sufiĉas ne frue morti!”

kaj kiel birdeto trinketis sian kalikon da vino!


Notoj de la Aŭtoro: Protagonistoj de miaj libroj: 

1. Menin (Menin: o menino que pintava o acontecer. Curitiba-PR: Ordem Rosacruz - AMORC, 1992)

2. Dorvalino Mendes (Percurso às avessas: Dorvalino semimorre. Guaratinguetá-SP: Penalux, 2021)

3. Sem Noção (Rabiscos poéticos de um sem-noção: o avesso do percursoBrasília-DF: L&C Editorial, 2024).



DEFASAGEM - MALAKORDO

  DEFASAGEM Ano da graça: 1949  me sinto um urso nascido analógico por desgraça me querem digital no ano em curso crise de identid...