01/12/2024

POEMA DO ESCREVER - POEMO DE L' VERKADO

 


POEMA DO ESCREVER

escrevo porque escuro

então clareio

escrevo porque não sei

então nomeio

escrevo porque oculto

na pele da noite

então escavo coço caço

palavra poema imagem

escrevo porque me instigas

com suas leituras

novas torturas do expressar

escrevo porque me cura

a palavra e sua lavra e procura

escrevo porque me inventa

a invenção que teço

e me aconteço

autor do meu dizer disperso

sombra sufocada em cada verso

escrevo enfim porque tô a fim

de surpreender nas possíveis leituras

por que essa libertação

me fazer mais escravo do escrever

     com a fúria do me escavar


 * * * * * * * * 

POEMO DE L' VERKADO

verkas mi pro tiu mallum’

do mi lumas

verkas mi pro nesci’

do mi nomumas

verkas mi kaŝite

sub noktohaŭt’

do mi prifosas jukas ĉasas

vorton poemon imagon

verkas mi ĉar min instigas

per via legado

al freŝa esprimtorturo

verkas mi ĉar min kuracas

la verkoserĉa kulturado 

verkas mi ĉar inventas min

mia teksa inventado

kaj jenas mi

aŭtoro de mia disa eldiro:

ombro sufokata ĉiuverse

verkas mi finfine pro la volo

surprizigi dum eblaj legadoj

la kialon de ĉi liberigo

plie min sklavigi

verki verki verki senfine

         per furioza memkavado

ALÉM DO OU - TRANSE

 


ALÉM DO OU

na vida sofro ou finalmente sopro?

a vida une ou pune?

a vida é má ou uma?

nela o que me é mais cara

o que é máscara?

que lado em mim é ódio?

quanto é pódio palco

onde represento o falso?

que lado em mim tirano

a fluidez me vai tirando

vida movimento vai tirando

impondo a estagnação?

quando enfim saio do canto

e canto o sopro da canção?

 

TRANSE

en mia viv’ ĉu sufer’ aŭ fine blovo?

vivo ĉu unuo ĉu puno?

ĉu malbono ĉu uno?

en ĝi kiom da kosto

kiom da masko?

kiu flanko jen malamo?

kiom podio scenejo

kie falsaĵo ludo?

kie ŝajna tirano, flueca forpreno

viva mova forpreno?

ĉu stagno sintruda?

kiam mi elangulos

kaj kantos kantoblovon?

IMPRESENÇA / MALĈEESTO

 


mesmo escavado o verso
mesmo o reverso escovado
mesmo o fio do universo
mesmo tendo-me esquivado

mesmo me achando perverso
e não me dando por achado
mesmo que fosse o inverso
mesmo que nem tão inchado

mesmo que toque meu centro
mesmo deixado de fora
mesmo quando mais dentro

mesmo até se fui embora
mesmo quando me concentro
mesmo aqui sou sem agora!

************

eĉ se kaviĝinta la verso,
eĉ se dorsefrapite,
eĉ se faden'-universo,
eĉ se iele eskapinte,

eĉ se ulo perversa,
eĉ sen kapitulaci’,
eĉ se estus inversa,
eĉ sen inflamo sur mi,

eĉ se la centro tuŝita,
eĉ mem se forlasita,
eĉ mem en hejma kor’

eĉ se irinta for,
eĉ se absorbita,

ĉi sen nun – jen mia kor’!

NA CONTRAMÃO - KONTRAŬFLUE

 



neste canto que alegrias minto?
minto muito ao dizer que só foi pranto?
em que canto ficou tudo o que sinto?
em que poema se perdeu meu canto?

que fica do poeta sem o encanto?
é poesia gota de alma inquieta
sempre perplexa com o próprio espanto?
sem mais perguntas não se tem poeta...

e me pergunto onde estarão as minhas?
e me interrogo alheio assim disperso
escondem-se em que parte destas linhas?
por que sumiram deste pobre verso?

poema lembra a dor da bailarina
a dor da perfeição e do exercício?
a poesia é sempre a dor mais fina
descobrir-se o poeta... fictício?

e embora se sabendo ficção
só sabe mesmo é que de nada sabe
sabe que vai seguir na contramão
dessa ruuua... finita                             
que não quer que acabe

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kiun ĝojon mi kante ja mensogas,
remensogas dirante ho nur plor'?
en kiu kanto, mia tuta sent'?
en kiu poem’ perdiĝis mia kant’?

sen sia ĉarmo, kien la poet’?
malkviete gutas poezi’,
ĉiam perpleksa pri l’ mirego en si?
sen plu demandoj, kien la poet'?

kien vi, demandoj miaj? mi scivolas,
fremde, diseme, rescivolas mi.
sublinie? kie kaŝite vi ire foras?
kial el povra verso fuĝas ci?

poemo, la dolor' de l' dancistin',
ĉu dolor' de l' ekzerca perfektec’?
poezi’, ĉu dolor’ la plej maldika?
ĉu poeto fikcio taksas sin!

kvankam sciante sin fikci'
nur scias li, ke nenion li scias,
sekvos ja kontraŭflue, scias li,
per finiĝanta strato 
neniel tamen fine finu ĝi...

ĈU POEZIO NECESAS - POESIA É NECESSÁRIA

 








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Ĉu poezio necesas, tion diru leganto,
Resultado de imagem para poesia necessáriane la poeto, ĉar vanto malbona elekto
Poeto pri sia teksto ne pretekstu
esti mistero: vere plurdimensia
nia Esto estas ni, nesto, kesto, koro poezia.

Resultado de imagem para poesia necessária
Ĉu poezio necesas diru Poezio mem
ne la poeto, tiu sekreto ŝajnas
sfinksa dilemo: deĉifru min
aŭ vin mi voros - la kreemo
de l’ poeto ŝvitas tra ĉiuj poroj,
ŝajnas silenta krio, ŝajnas ia senfin’. Ĉu poezio necesas? temposparke
kvazaŭ onia fuŝo ĉesas jes ĝi tro necesas!
- El kie poemo venas ja Poezio plenas!

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Poesia é necessária? diga o leitor,
Resultado de imagem para poesia necessárianão o poeta vaidade má escolha
poeta sobre seu texto sem pretexto
de ser mistério multidimensional sim
nosso Ser ninho cesto coração da poesia
Resultado de imagem para poesia necessária

poesia necessária? diga a poesia mesma
não o poeta tal segredo
eis dilema de esfinge me decifre
ou te devoro - a criatividade do poeta
sua por todos os poros
grito silencioso algo sem fim poesia necessária? num átimo
como sumisse a balbúrdia sim necessária demais!
de onde o poema vem
poesia é plenitude!

29/11/2024

 ✍  


POETA

teu olhar descabelado 

verticaliza horizontes 

marinhos

sem que as naus despenquem 


tua linguagem desmiolada 

subverte ocasos cálidos 

sem que o caos se instale 

astros se desabem

tua linguagem desmiolada

subverte ocasos cálidos

sem que o caos se instale

astros se desabem

teu ser descompasso

abre-se em espaços únicos

sem que o tempo vário

deixe de ser vário

e uno!

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POETO

via nekombita rigardo

vertikaligas horizontojn

marajn

sen ŝipofaligo


via ventokapa lingvaĵo

reversas sunsubirojn varmajn

sen kaoso-instaŭro

astrokolapsado


via sentakta esto

malfermas nurajn spacojn

sen tempo diversa

ĉesu sin diversa

unuo!

POEZIECO - POETICIDADE

 


POEZIECO

kia ecas Poezi’? kiel koloras ĝi?

ĉu blankas Poezi’? ĉu violas ĝi?

kiom poemo ecas? kiom Poezi’ necesas?

ĉu poeziumas vi? ĉu poezias poem’?

ĉar tion ne scias mi, daŭre demandi decas?

ĉu eble poezifonto ĉesas? ĉu kvazaŭ ino

ŝajnas ĝi sen ajna fino?

 

kiom koloras poemo se ne venas el ĝi

emo, emocio, ia tremo?

kiujn atingas poemo se ĝi ruĝas?

oranĝkolora, ĉu poemo staras?

kion se ĝi flavas?

kion oni perdas se poemo verdas?

se poemo ĉielbluas, kies flugo fluas?

kion pri l’ indiko de poem’... indigo

revene al l’ komenco, se poem’ violas

sia eco ĉu pligrandiĝas?

kie kuŝas Poezio se ne sine de Spirito?

 

POETICIDADE

Poesia que qualidade tem? tem alguma cor?

será branca a poesia? e se violeta for?

quanta qualidade o poema? Poesia quão necessária?

você coisa Poesia? quão de Poesia o poema em si?

como não sei isso, volto à pergunta do início?

pode secar a fonte da Poesia? ou como o feminino

parece sem qualquer fim?

 

quanto no poema é cor se não instiga

rumo, emoção, algum tremor?

quem o poema atinge se vermelho finge?

alaranjado, fica poema de pé?

se amarela como é que é?

quanto se perde num poema verde?

se azul-celeste, que voos fluem ao Leste?

(terá quem Oriente?)

qual a indicação do poema azulão?

se o poema violeta for qualidade maior então?

onde repousa a Poesia, de onde veio

se não do seio do Espírito?

DEFASAGEM - MALAKORDO

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