27/02/2026

DESCASCAR ESSE ABACAXI

 


DESCASCAR ESSE ABACAXI
        Estou sem sono sem sono sem sono e sem saco de fazer disso poesia estou cansado dessa saúde meia-boca fragilidade ausência de norte calmaria espera angustiante de não sei bem o quê O que estiver por vir virá sem me pedir licença e nada será de mau de mal normal o que estiver por vir O porvir não nos pertence nada pode deter o curso do que já se precipita sobre quem sensibilidade tenha então que venha o vento que ventar o que tá difícil de aguentar é essa calmaria que nos impede o navegar e navegar é preciso essa batelada sem fim de exames e seus parâmetros de exigência fria como fogueira em cinza como o tempo de nuvens cinza cinza cinza falta azul vermelho alaranjado tudo em volta está deserto tudo certo como dois e dois são cinza cinzeiro que não para e nem fumar eu fumo ora sem bituca pra que cinzeiro pra que cinza esse teto de zinco quente com gato quente Pra que tanto exame vexame se nem matéria tem para estudar Estou sem sono sono sono e sem saco saco saco dessa loucura em que nos metemos como espécie – a humana desumana o asteroide venha nos destruir um avatar venha nos instruir e se possível nos salvar de nós mesmos de nossa arrogância incompetência flatulência ignorância inconsequência Catástrofe já não virá estamos no meio dela e a inauguração foi outro dia mesmo e nem nos demos conta está por um fio faz calor faz frio zelo e gelo se sucedem nos pensamentos que não cedem não cessam não param nos encobrem sufocam tiram o sono como se fôssemos robot com t mudo pois nem palavra nos sobra nossa a obra nossa a sobra e de sobra não somos nada sóbrios somos pobres indigentes sem ter onde cair morto Que direção seguir se o vento parou de ventar e essa calmaria é pior que fervura em banho-maria se finge de brandura mas não dura o tempo necessário necessário para quê? Pra dormir e descansar descascar esse abacaxi que enfim plantamos e vamos colhendo – para quê para quê para quê???


SOLVI TIUN PROBLEMON
        Sen-dorma volo mi estas sen-dorma volo sen-dorma volo sen-dorma volo kaj sendeziro fari poezi-fari pri tio mi estas laca pri tiu duon-sano fragileco manko de nordo senvento korprema atendo pri  io ajn Kio venontas venos sen mia permeso kaj nenio estos malbono malbone normala kio venontos Estonto al ni ne apartenas nenio povas halti la kurson de tiu, kiu jam sin ĵetigas sur kiu sentemon havas venu do la ventanta vento kio kion malfacilas teni estas tiu senvento nin malpermesanta navigi navigi necesas tiun lavangon da senfina medicina esploro malfacilas kun siaj parametroj de malvarma postulo kvazaŭ fajro-cindroj kiel la tempo de grizaj nuboj grizaj grizaj grizaj manko de blua ruĝa oranĝkolora ĉio ĉirkaŭe estas deserta ĉio enorde kiel du plus du estas griza cindrujo kiu ne ĉesas sed eĉ fumi mi ne fumas nu sen stumpo kial cindrujo kial griza tiu tegmento de varma zinko kun varma kato Kial tiom da ekzameno embaraso se eĉ studmaterialo malestas Mi estas sendorma sendorma sendorma kaj senpacienca senpacienca senpacienca pri tiu frenezo kie ni falis kiel specio – la humana asteroido venu nin detrui avataro venu nin instrui kaj se eble nin savi el ni mem el nia aroganteco malkompetento furz-ellaso ignoro sensekvo Katastrofo jam ne venos ni estas meze de ĝi kaj la inaŭguro okazis iam kaj ni perceptis preskaŭ nenion varmiĝas malvarmiĝas zorgo glacio sinsekvas en la pensoj, kiuj ne cedas ne ĉesas ne haltas nin kovras sufokas forigas nian dormon kvazaŭ ni estus robot per muta t ĉar eĉ vorto restas nia la verko nia la resto kaj cetere ni estas neniel sobraj povraj mizeruloj eĉ sen kie morti Kien iri se vento haltis venti kaj tiu senvento estas pli malbone ol bolanta akvo en bol-bano ŝajnigas mildeco sed nesufiĉe daŭras la necesa necesa tempo kiucele? Por dormi kaj ripozi senŝeligi tiun ananason, kiun ni mem plantis kaj rikoltadas – kiucele kiucele kiucele???


14/02/2026

PEPITA DE OURO - OR-GRAJNO

 


PEPITA DE OURO

1

a inquietação persiste parecendo luz inquieta

com seu dedo em riste

nas feridas do poeta

no seu canto insiste sua voz é incompleta

e o poeta assiste

sua sombra se faz seta

o que falta? o que sobra?

o que acontece? O que se precipita?

do insondável vem a obra?

o que tanto assim me agita?

como isso se desdobra?

tem ouro nessa pepita?

2

assim como o texto esconde na medida em que aparece

nessa medida responde:

embora luz, obscurece

esse alívio vem de onde? o que se espalha se junta?

poema jamais responde?

poesia é só pergunta?

com que o alívio parece

como se junta ou se espalha?

se poema enfraquece?

onde reside a falha?

tendo ouro nessa prece

poesia vence a batalha

OR-GRAJNO

1

daŭras iu malkvieto ŝajnas malkvieta lum’

jenas fingro en akuz’

sur la vundoj de l’ poeto

per sia kanto insisto sia voĉo nekompleta

videblas poeta ago

kies ombro iĝas sago

kio mankas? troas kio? kio staras? falas kio?

venas verko el mister’?

kio ĉe mi, agitiĝo? kiel tioma vastiĝo?

en or-greno ĉu trezor’?

2

ne ĉion la teksto montras aperas io estonta

ekestas jen io kura pro tio venos respondo:

ĉu eble lum’ obskura?

el kie la malakrig’? post-disiĝ’, kuniĝas io?                 

poem’ ĉu respondas iam?

nur demand’ ĉu Poezi’?

malakrig’ similas kio?

ĉu kuniĝ’ iel disiĝas?

la poem’ ĉu malfirmiĝas?

se manko, ho kie ĝi? 

en preĝ’, ĉu oro, ĉu kio?     

batalon venkas poezi’?


04/02/2026

INGÊNUIDADE DIGITAL - CIFERECA NAIVECO

 
INGENUIDADE DIGITAL


No Ano da Graça de 1949

nasci analógico

mas, para minha desgraça

me querem digital


minha crise de identidade

vem e-digital fulano de tal

já meio atônito constato

sem enleio meu correio eletrônico

se chama imeio 

do original e-mail


antiga a CNH botou pra quebrar

virou e-CNH e nesse imbróglio

eu que nasci analógico

me vejo analfabeto digital

sigo trôpego bêbedo

no piscar digital

do meu percurso analógico

ilógico quase tetraplégico

ser analógico já não conta

criptografado de ponta a ponta

por mais que erre

ao apontar a câmera

num código-QR


CIFERECA NAIVECO

 

En la Ano Domine 1949

naskiĝis mi analogia

sed, malfeliĉe

oni min volas cifereca

 

mia krizo identeca

tiu e-cifereca tiulo

duon-surprizita sin konstatas

sen ravo mia retadreso

nomiĝas “imeio”

originale e-mail

 

antikva la “CNH” furoris

kiel e-CNH: en tiu konfuzo

naskiĝinta analogia

mi min vidas cifereca naivulo

iras mi ebria stumbla

dum la cifereca palpebrumo

de mia analogia irvojo

mallogika preskaŭ kvadriplegia

esti analogia ekstermodiĝis

absolute kriptografita

eĉ se plu eraras

cele de mia kamerao

al QR-kodo




30/01/2026

OLHAR POÉTICO Ainda estou aqui! - POEZIA RIGARDO Ankoraŭ mi estas ĉi tie!

 OLHAR POÉTICO Ainda estou aqui!


enquanto lábios beijos ardem 
látegos ardem peles nuas 
porões quartéis clandestinos

famílias clãs destinos se rompiam
dilacerados pela tortura nos filhos
amordaçados desaparecidos

gritos surdos corredores ecoam 
lúgubres fétidos sangue escoa
sugada juventude corpo castigado

ainda estou aqui - diz a sétima arte
olhar frio documentário-poesia 
choram marias clarices eunices

deputado desaparecido 
diretório acadêmico  
docente silenciado
sussurros: sabe quem ficou gripado?

código ou eufemismo? 
até atestado de óbito
naquele clima endêmico
seria comemorado...
Ainda estou aqui! 

POEZIA RIGARDO Ankoraŭ mi estas ĉi tie!

dum lipoj kisoj ardaj 
skurĝoj ardaj nudaj haŭtoj 
kaŝaj kazernaj keloj

rompataj familioj klan' destinoj 
dispecigataj de torturaj filoj
silentigataj malaperintaj 

surdaj krioj koridore eĥadas 
funebra fetora sango skuadas
suĉada juneco punata korpo 

ankoraŭ mi estas ĉi tie - diras la sepa arto
frida rigardo poezia dokumentario 
ploras marias clarices eunices

malaperinta deputito
akademia direktorio
docento silentigita
susuroj: ĉu vi scias kiu gripiĝis?

ĉu kodo ĉu eŭfemismo? 
eĉ mortatesto 
en tiu endemia etoso
finfine komemorata...
Ankoraŭ mi ĉi tie! 

14/01/2026

SEGREDO SEKRETO

 

SEGREDO

Menin, Sem-Noção, Dorvalino

três inseparáveis amigos?

Só dois? o outro, só apelido?

A pergunta mesma, Sem-Noção.

Dorvalino – dor e orvalho –

preferia a madrugada, a orgia

ao trabalho – alguém mais?

Menin – o menino que pintava o acontecer –

se perguntava, agora rapaz,

“o que vou ser, o que vou ser?”

“Menin, você já é! Você já é!”

Sem-Noção ao amigo devolvia a paz:

“Quem de nós é apelido, cognome?”

Dorvalino num poema respondia:

“Não sei se sou eu – mas, me consome

o envelhecer, essa dor tardia.”

Na senectude não pensa a juventude,

agora chegado, o envelhecer ardia:

envelhecer – a ele não se alude

mas, traz consigo algum medo.

“Tio Velho, como é fazer 100 anos?

qual o segredo, qual o segredo?”

Respondia sem embaraço: 

Não seiÉ a primeira vez que faço.

Vai vivendo, vivendo e não pensa.

Medo do ataúde? Não! Fiz o que pude!”

Cheio de atitude:

“Convocarei uma coletiva de imprensa,

revelarei do centenário o meu segredo”

E ante câmeras e microfones revelou sem medo:

“Muito simples, meu jovem! É só não morrer cedo!”

Acrescentou, bom-humor elegante:

“É só não morrer antes!”. Cravou matreiro:

“Celebre Sua Excelência o coveiro,

mas, siga vivendo o seu segredo

(que não se revela a ninguém)

“Como viver, passar dos 100?”

- “É só não morrer cedo! É só não morrer cedo!"

E como passarinho beliscou sua taça de vinho!


Notas do Autor: Protagonistas de meus livros: 

1. Menin (Menin: o menino que pintava o acontecer. Curitiba-PR: Ordem Rosacruz - AMORC, 1992)

2. Dorvalino Mendes (Percurso às avessas: Dorvalino semimorre. Guaratinguetá-SP: Penalux, 2021)

3. Sem Noção (Rabiscos poéticos de um sem-noção: o avesso do percurso. Brasília-DF: L&C Editorial, 2024).

* * *

SEKRETO

Menin, Sen-Nocio, Dorvalino, 

ĉu tri neaparteblaj amikoj?

ĉu du? la alia, nur alnomo?

La demando mem, Sen-Nocio.

Dorvalino – dolor’ kaj roso –

preferis frumatenojn, orgion

al la laboro – ĉu iu plu?

Menin: la knabo kiu pentris l’ okazantaĵon –

sin demandis, nun junul’,

“kio estos mi, kio estos mi?”

“Menin, jam vi estas! Jam vi estas!”

Sen-Nocio al l’ amiko redonis la pacon:

“Kiu el ni estas alnomo, krom-nomo?”

Dorvalino respondis per poemo:

“Ĉu mi, mi ne scias – sed, min konsumas

la maljuniĝo, malfrua doloro.”

Pri maljunaĝo ne pensas gejunuloj,

nun alveninta, maljuneco ardis

maljuniĝo – al ĝi neniu aludas

sed, tio portas certan timon.

“Onklo Oldulo, kiel ŝajnas 100-jariĝi?

kiu la sekreto, kiu la sekreto?”

Sen-tiklece li respondis: “Mi ne scias!

Unuafoje nun mi 100-jariĝas.

Nur vivu, nur vivu, ne tro pensu.”

“Ĉu ĉerkon pritimi? "Ne! Mi faris la plej bonon!”

Plene je sinteno:

“Mi kunvokos kolektivan intervjuon,

Rivelos pri l’ 100-jariĝo mian sekreton”

Antaŭ kameraoj kaj mikrofonoj sentime diris:

“Tre simple, kara junul’! Sufiĉas ne frue morti!”

Elegante aldonis bon-humora:

“Sufiĉas ne frue morti!”

Kaj ruze: “Celebru Sian Moŝton la tombiston,

sed, daŭre vivu la sekreton

(al neniu rivelinda)

“Kiel vivi pli ol 100-jariĝo?”

- “Sufiĉas ne frue morti!”, “Sufiĉas ne frue morti!”

kaj kiel birdeto trinketis sian kalikon da vino!


Notoj de la Aŭtoro: Protagonistoj de miaj libroj: 

1. Menin (Menin: o menino que pintava o acontecer. Curitiba-PR: Ordem Rosacruz - AMORC, 1992)

2. Dorvalino Mendes (Percurso às avessas: Dorvalino semimorre. Guaratinguetá-SP: Penalux, 2021)

3. Sem Noção (Rabiscos poéticos de um sem-noção: o avesso do percursoBrasília-DF: L&C Editorial, 2024).



01/01/2026

APORIA II APORIOII

 

APORIA II

Tem essa pele que arde e coça,

mãos e unhas assassinas

raiva sem nome sem tino

essa carnificina


Olhar assustado do menino

a virar moço, suor, esforço

pra ser o primeiro da classe

ah! se o rapaz falasse:

por que tanto alvoroço?

onde o fim do poço?

onde enfim o desenlace

desta e de tantas batalhas?

ao primeiro da classe 

restam o peito, as medalhas.

todo o bônus, todo o crédito

naquele mote militar: ao primeiro lugar

"honra ao mérito"


Ao menino desejo o melhor

ao moço menos alvoroço

ao rapaz, agora adulto,

nesse Natal, o indulto:

ser compaixão, amor adulto

sinto muito, me perdoe, sou grato, te amo,

sinto muito, sinto muito!


APORIO II

Jen tiu haŭto ardas, jukas,

murdantaj manoj, ungoj,

sennoma freneza kolero

tiu multmortigo


Ektimiga rigardo de l' knabo

preskaŭ junul', ŝvito, penado

por esti la unua de l' klaso

ha! se parolus la junulo:

kial tioma konfuzo?

kie la fino de l' puto?

kie finfine la solvo

de tiu, tiomaj bataloj?

a la unua de l' klaso 

restas la brusto, medaloj,

ĉiu profito, kredito

en tiu milita devizo: a la unua ulo

"honoro al merito"


Al la knabo plej bonon deziras mi

al junul' malpli da konfuz'

al junul', nun plenkreskul',

ĉi-Kristnaske, la amnestion:

iĝi kompato, matura amo

mi multe sentas, min pardonu, dankeme amas vin,

mi multe sentas, multe sentas!



IMPRUDÊNCIA MALPRUDENTO

 

IMPRUDÊNCIA

(Ao compositor Belchior, in memoriam)

Tão ensimesmado tão ensimesmado

deu por si, o caminhão:

acabou atropelado na contramão 

por auto não identificado.

Sumiu nas asas da escuridão

e no pedido de socorro

o mote ali a seu lado:

Tenho sangrado demais

Tenho chorado pra cachorro

Ano passado eu morri

Mas esse ano eu não morro


Coração em festa, admitiu-se errado:

resposta a mais honesta

mora na luz da alma

vem num sussurro vem calma

água descendo morro

se aninha em qualquer fresta:

Tenho sangrado demais

Tenho chorado pra cachorro

Ano passado eu morri

Mas esse ano eu não morro


Se a pele é palha seca

nela ponho fumo de rolo

acendo pito: vem pitar aqui mais eu

tirou a roupa (me compreendeu)

a companheira me atende

e acende o pito na fogueira

a preguiça de pronto escorro:

Tenho sangrado demais

Tenho chorado pra cachorro

Ano passado eu morri

Mas esse ano eu não morro


MALPRUDENTO

(Al komponisto Belchior, in memoriam)

Tiom enmemiĝema tiom enmemiĝema

kaj subite, kamiono.

Finiĝis kontraŭdirekte trafita

de aŭto ne identigita.

Forpereis flugile de la mallumo

en la helpopeto liaflanke la moto:

Mi sangadis tro

Mi ploradis tro kaj tro

Pasint-jare mi mortis

Sed ĉi-jare ne mortos


Festema konsentis la koro pri l’ trompiĝo:

respondo la plej honesta

loĝas lume de l’ animo

susure venas kviete venas

akvo la monton descendas

nestiĝas en ajna fendo:

Mi sangadis tro

Mi ploradis tro kaj tro

Pasint-jare mi mortis

Sed ĉi-jare ne mortos


Se l' haŭto iĝas seka pajlo

sur ĝi la fumon mi metas

bruligas pipon: venu fumi ĉe mi

senvestiĝas ŝi (min komprenis)

amatino min atencas

rebruligas la pipon en la fajro

mia pigro tuj elfluas:

Mi sangadis tro

Mi ploradis tro kaj tro

Pasint-jare mi mortis

Sed ĉi-jare ne mortos

29/12/2025

PROFESSOR ESTRESSADO STRESIĜA INSTRUISTO

 

PROFESSOR ESTRESSADO

Professor colega meu, cujo nome não quero revelar, aturou o quanto pôde a balbúrdia de alunos rebeldes do CMRJ, o Colégio Militar do Rio de Janeiro, de súbito interrompeu a aula e decretou em tom de ameaça:


-- Todos vocês tirem uma folha do caderno e guardem todo o material. Não quero ouvir mais um pio. Vocês estão sob V. I., a temida Verificação Imediata, instrumento de avaliação prevista no Regulamento. Consistia numa arguição oral, prova escrita, redação cujo tema na última hora o Professor revelaria. E completou:


-- Vocês terão que fazer uma redação nesses últimos minutos que faltam. Escrevam no alto da folha nome, número, turma e a data. O tema é "Como militar na vida civil". Comecem.


Começou a comoção. O silêncio cobria com letras trêmulas as trinta linhas sobre o papel.


-- Quem terminar poderá sair para o intervalo. Em silêncio! Amanhã trarei as notas.


No dia seguinte o Professor mostrou aos colegas as notas a serem anunciadas momentos depois e relatou o episódio. Enxurrada de nota zero, dois e meio, três. A melhor nota teria sido quatro. Já estava ensaiado o que diria. Elogios não eram.


STRESIĜA INSTRUISTO

Instruisto kolego mia, kies nomon mi ne diru, eltenis kiom li povis la konfuzegon de ribelemaj lernantoj de CMRJ, Colégio Militar do Rio de Janeiro (Milita Lernejo de Rio de Ĵanuaro). Subite li interrompis la klason kaj dekretis en minaca tono:


-- Vi ĉiuj prenu paperfolion kaj gardu la ceteran materialon. Mi volas aŭdi ne plu vorto. Vi estas sub V. I., la timema Tuja Kontrolilo, instrumento de taksado laŭ la Regulamento. Konsistas ĝi buŝa ekzamendemando, skriba ekzameno, redaktado kies temo lastmomente la Instruisto anoncos. Kaj aldonis:


-- Vi faros redaktadon dum tiu lastaj dek minutoj. Skribu sur la supro de la paperfolio la nomon, numeron, klasnumeron kaj la daton. La temo estas "Kiel militi en la civila vivo". Komencu.


Komencis la komocio. Silento kovris per tremaj leteroj la unuajn tridek liniojn sur la papero.


-- Kiuj finos povos eliri por la intertempo. Silente! Morgaŭ mi portos la notojn.


La sekvantan tagon la Instruisto montris al kolegoj la notojn kaj relatis la epizodon. Torento da notoj nulo, du kaj duono, tri. La plej bona estus kvar. Jam preparis la dirotajn vortojn. Neniu laŭdo.

27/12/2025

CARTA-ABERTA: a Única Revolução MALFERMA-LETERO: la Sola Revolucio

 


CARTA ABERTA: a Única Revolução

Querido P. P. N.:

Como sabe, sou sua mestra. Pedagogia é minha profissão e às vezes sou bem severa, como tem percebido. Meu método de trabalho pode ser bem rigoroso. Não pense que é castigo, punição, algo parecido. Meu compromisso foca resultado. Quero o melhor para você. Assim, mesmo que eu pareça dura, áspera, áspera, áspera como a sua pele, tenha paciência. É para o teu bem.

 

Paulo, você notará que suas questões emocionais, manias, características, dificuldades, dores acabarão sendo conhecidos. Com isso aprenderá muito sobre si mesmo. Não direi que será um caminho fácil. Aliás, serei franca, tem horas que poderá bater desânimo, muito desconforto, dor, desespero. Mas, nada que possa destruir você. Sua educação pela pedra, como diria o poeta João Cabral. A sua Única Revolução – diria Krishnamurti. O processo será duro, mas bastante educativo. Enfim, autoconhecimento, autodescoberta. Como sua mestra, lhe darei alguns recursos, que desenvolverá com o tempo.

 

Teríamos ainda muito o que conversar. Jamais será conversa mole pra boi dormir. Aprenderemos muito um com o outro segundo nossas peculiaridades. Topa? Tem coragem? Para o seu bem. Vamos nessa?

Com amor, 

"sua" Psoríase

 

MALFERMA LETERO: la Sola Revolucio

Estimata P. P. N.:

Kiel vi scias, mi estas via majstro. Pedagogio estas mia profesio kaj foje mi estas sufiĉe severa, kiel vi perceptadis. Mia labormetodo povas esti tre rigora. Ne pensu esti admono, puno, io tia. Mia kompromiso fokusas rezulton. Plej bonon por vi mi volas. Tiel, eĉ se mi ŝajnas dura, akra, akra, akra kia via haŭto, paciencu. Tio celas vian plej bonon.

 

Paŭlo, vi scios, ke viaj emociaj aferoj, manioj, karakterizaj tajtoj, malfacilaoj, doloroj fine estos konataj. Tial vi multe lernos pri vi mem. Mi ne diros, ke per facila vojo. Nu, sincere, foje venos senkuraĝo, tre malkomforto, doloro, malespero. Sed, nenio detrua. Via perŝtona edukado, dirus la poeto João Cabral[PP1]. Via Sola Revolucio – dirus Krishnamurti. Dura proceso, sed sufiĉe eduka. Fine, eltrovo, memkono. Kiel via majstro, mi donos al vi kelkajn rimedojn, kiujn vi siatempe disvolvos.

 

Restas multe por babili, sed neniel bovlula klaĉado. Ni lernos multe unu de la alia laŭ niaj apartaĵoj. Ĉu vi kuraĝas? Por via plej bone. Ek!

Ame,

"via" Psoriazo


 [PP1]João Cabral de Melo Neto, fama brazila poeto, konata pri sia preciza stilo kaj koncepto de “ŝtona edukado”, kiu valorigas la rigoran lernadon kaj memkonon.

SORRISO RIDETO

 


SORRISO

Sem sair de Si mesmo

Quem sou viajou a esmo

E se entornou no caminho

E se entortou no espinho

Se divertiu como nunca

Se serviu na espelunca

Tropeçou torceu o pé

De Si mesmo se afastou

Em busca d'Aquele que é:

“Nada mais, aqui não dá pé!"


Perto de perder o siso

Respirou como é preciso:

Eu Sou abraça quem se tornou

(a viagem de si a Si-Mesmo)

Quando deu por Si,

Eu Sou – abraço e sorriso!

 

RIDETO

Sen eliri el Si mem

Kiu mi estas hazarde vojaĝis

sin verŝis tra la vojo

sin tordis sur la dornoj

sin distris kiel neniam

sin servis en drinkejaĉo

stumblis tordis piedon

el Si mem foriris

serĉe al Tiu kiu estas:

“Naĝu plie, ne travadu ĉi-tie!"


Preskaŭ la saĝon perdinte

kiel necese spiris:

Mi Estas brakumas kiun li iĝis

(vojaĝi de si al Si-Mem)

kiam konsideris al Si,

Mi estas – brakumo, rideto!


TERROR - TERURO

  TERROR     Acordara com aquela vontade estranha. Queria porque queria ver filmes de terror. Percorreu as sinopses disponíveis: Netflix, Pr...