25/09/2026

POEMA PARA O VELHO SÁBIO - POEMO AL LA SAĜA MALJUNULO

 


Poema para o Velho Sábio

A velhice chega devagar, como quem não quer acordar a casa.

A morte passa na rua e me cumprimenta com um aceno tímido. Não é ameaça — é lembrança.

O ego, esse menino mimado, grita: “Eu não quero ir!” E se agarra às fotografias, às promessas, aos restos de brilho.

Mas lá dentro, num canto que não tem nome, o velho sábio sorri.

Ele sabe que tudo é empréstimo: o corpo, as alegrias, até o medo.

E diz, sem pressa:

— Solte. O que é seu não precisa ser segurado.

Então o coração, surpreso, desaperta um nó antigo e respira.

E pela primeira vez eu entendo: não é a morte que se aproxima. Sou eu que finalmente chego perto de mim.


Poemo al la ena Saĝa Maljunulo

La majunaĝo malrapide venas, kvazaŭ ne volu veki la domon.

La morto trairas la straton kaj min kumplimentas per honta mieno. Ne estas minaco — nur rememoro.

Egoo, dorlota knabo, krias: “Mi ne volas iri!” Kaj algluiĝas al fotoj, promesoj, kadavroj de brilo.

Sed ene, en sennoma angulo, la saĝa maljunulo ridetas.

Li scias. Ke ĉio estas pruntepreno: la korpo, ĝojoj, eĉ la timo.

Kaj diras, malhaste:

— Forlasu. Tion kiun al vi apartenas vi ne bezonas teni.

Do la koro, surpriza, malligas antikvan nodon kaj spiras.

Subite mi komprenas: ne estas mia morto kiu alproksimiĝas. Estas mi kiu fine alproksimiĝas al mi.

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